São Bento do Sul está em alerta após dois casos de variante Delta

A reversão de uma tendência de queda nos números de casos confirmados e de hospitalizações nesta última semana em no município já começam a chamar a atenção da Secretaria de Saúde para a disseminação da variante Delta no município. O assunto foi debatido durante a reunião desta quinta-feira (19), do comitê de crise para enfrentamento da Covid-19

A Secretaria de Estado da Saúde (SES/SC), por meio da Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV), confirmou mais sete casos da variante Delta do coronavírus em Santa Catarina. Dentre eles, dois foram identificados em São Bento do Sul, além de municípios como Joinville, Bom Jardim da Serra, Capivari de Baixo, Santo Amaro da Imperatriz, Florianópolis e Navegantes.

Com isso, até o momento foram confirmados 43 casos da variante Delta do coronavírus – conhecida por ser mais transmissível – em 23 municípios catarinenses. Desse total, 26 casos são considerados casos autóctones – de transmissão dentro do estado -, sete casos importados – transmissão fora do estado – e 10 estão em investigação sobre o local provável de infecção. Dos 43 casos, dois evoluíram para óbito.

Nota de Alerta no município

A reversão de uma tendência de queda nos números de casos confirmados e de hospitalizações nesta última semana em São Bento do Sul já começam a chamar a atenção da Secretaria de Saúde para a disseminação da variante Delta no município. O assunto foi debatido durante a reunião desta quinta-feira (19), do comitê de crise para enfrentamento da Covid-19.

Gráficos tanto da Central de Monitoramento quanto de atendimentos do Hospital e Maternidade Sagrada Família apontam para uma alta, após pelo menos quatro semanas de queda nos números relacionados à pandemia. Para a médica responsável pelo monitoramento, Andréa Duvoisin, os números da próxima semana podem ser decisivos para se estabelecer o início de uma nova onda de casos.

São Bento do Sul está em alerta após dois casos confirmados da variante Delta. Foto: Nina Farias

De acordo com a médica, a principal questão relacionada à Delta é justamente seu alto poder de contaminação se comparada à variante Alfa, ou P.1., como ficou conhecida a cepa de Manaus. No caso da Alfa, a taxa de transmissão era de aproximadamente 2 e no caso da Delta, é de 4,5. Por conta disso, e pelo fato da Delta já ser a variante predominante em diversos países e começa a se alastrar também no Brasil, as equipes de saúde pedem que a população não relaxe nos cuidados.

Conforme a secretária de Saúde, Carmen Binotto, o momento ainda exige cautela e todos os cuidados como o uso de máscaras, higiene das mãos e o distanciamento social devem ser mantidos a fim de se evitar uma aceleração nos casos. Ela ainda pede que a população não deixe de se vacinar. “Até esta quinta-feira, 75,33% da população vacinável do município havia tomado a primeira dose, e 27,6% está com o esquema vacinal completo, seja de segunda dose ou com dose única”, disse. 

Na Central de Covid, onde também vinha sendo registrada redução nos atendimentos ao longo das últimas semanas, nesta última a situação já começou a dar sinais de mudança, com a estagnação nos números. São cerca de 70 pacientes ao dia procurando a unidade da Vila 1º de Maio. “Mas vamos lembrar que é um centro para pacientes com síndromes gripais. Nem todos são Covid”, pondera.

Segundo a secretária, entre tantas preocupações, uma delas é que o público mais jovem, as faixas etárias próximas aos 20 anos de idade, não têm procurado a vacina. Carmen lembra da importância da imunização, não só para a própria pessoa, mas também para evitar que o vírus se alastre com mais facilidade e rapidez no município.

A Delta

Ainda em relação à variante delta, a médica Andréa Duvoisin cita estudos recentes que mostram aumentos de casos nos Estados Unidos entre pessoas não vacinadas, superlotando hospitais em algumas regiões do país. Também em Israel, onde 80% da população já foi imunizada, o país prepara a aplicação de uma terceira dose da Pfizer devido ao rápido avanço da variante. Outros países como Inglaterra e Espanha também enfrentam agora novos picos de contágio.

Conforme a secretária Carmen Binotto, como já existe confirmação da variante delta em São Bento do Sul, sabe-se que os casos a partir dela também devem começar a aparecer com maior intensidade a partir das próximas semanas. A alta na taxa de ocupação dos leitos de enfermaria do Hospital e Maternidade Sagrada Família, para ela, já começa a ser um indicativo.

De acordo com dados do hospital apresentados na reunião desta quinta-feira, atualmente são nove os pacientes internados em leitos de enfermaria com Covid-19, sendo oito de São Bento do Sul e um de outra cidade. Na UTI são dois com Covid-19 e oito com diferentes patologias. “Esta é uma característica da delta. Ela gera muito mais pacientes de enfermaria do que de UTI”, explicou a secretária, comparando os números atuais com os da semana passada, quando eram apenas três pacientes internados com Covid-19 na enfermaria. “Se acompanhamos outros estados e países poderemos caminhar para um novo pico devido à delta”, alerta a responsável pelo monitoramento.

Outro assunto tratado na reunião foi a Feistock, feira de móveis e decorações, que ocorreu no final de semana passado. Agora, como se tratava de um evento-teste avaliado pelo governo estadual, todos os números da região serão acompanhados.

Carmen destacou que a feira seguiu todos os protocolos de segurança, foi fiscalizada por vigilâncias sanitárias do município e do Estado, e mesmo podendo receber simultaneamente até 3 mil pessoas na Promosul, devido à área física do pavilhão, este número não chegou a ser alcançado. “Eles fizeram tudo certinho, mas a gente sabe que um evento deste porte, mesmo com tudo perfeito, podem ocorrer casos a partir da feira”, disse. O comitê se reúne novamente na próxima quinta-feira (26).

Alerta estadual


De acordo com a Nota de Alerta nº 13/2021 emitida pela Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV) o fortalecimento das medidas de prevenção diante da presença da variante Delta do coronavírus no Estado de Santa Catarina devem ser intensificados.

A nota traz uma série de medidas que devem ser adotadas pelas equipes de vigilância sanitária e epidemiológica, serviços de saúde e população em geral. Entre as principais orientações está a organização de estratégias de preparação e resposta frente a uma possível nova onda de casos e intensificação de vacinação. E para a população em geral, o alerta é para manter as medidas de prevenção como uso de máscaras, distanciamento social evitando aglomerações e ambiente com pouca ventilação e lavagem das mãos, além de buscar a vacinação assim que as doses estiverem disponíveis.

De acordo com o Superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, independentemente do tipo de variante do coronavírus, recomenda-se a adesão da população à vacinação contra a COVID-19. “É importante que todos compreendam o risco que a transmissão comunitária da variante Delta pode trazer para nosso estado. Nos países em que esta variante se tornou dominante, observou-se um aumento no número de casos, o que fez com que diversos países adotassem medidas de restrição. Felizmente as vacinas são eficazes e protegem contra as formas graves da doença. Portanto, compareçam aos locais de vacinação, principalmente os jovens. Não é o momento de escolher o fabricante da vacina, pois todas as vacinas protegem contra as formas graves da doença. Lembrando que apenas com o esquema vacinal concluído a imunização tem o seu efeito, e as pessoas estarão protegidas”, afirma Macário.

A variante Delta
A variante Delta é da linhagem viral B.1.617, que apareceu na Índia em outubro de 2020. Em maio de 2021, após ser associada ao agravamento da pandemia, a cepa foi declarada como variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Conforme um estudo divulgado em julho por pesquisadores ligados a OMS e ao Imperial College de Londres, a variante Delta é cerca de 97% mais transmissível do que o coronavírus original identificado na China, sendo assim ainda mais preocupante do que as variantes surgidas no Reino Unido (Alfa), na África do Sul (Beta) e no Brasil (Gama).

Fonte: Prefeitura de São Bento do Sul e Dive

Edição: Jornalista Herison Schorr

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