PIB de Garuva cai duas posições, mas se mantém entre os 50 mais ricos de SC

Em entrevista ao Folha Norte SC, o prefeito Rodrigo David (MDB) pontuou questões cruciais para o desenvolvimento da economia do município

O ano de 2019 foi de crescimento pouco expressivo do Produto Interno Bruto (PIB) de Garuva, em relação aos anos anteriores. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município cresceu apenas 2,48%. Os dados foram divulgados pelo instituto no final do ano passado. Com o desempenho, Garuva caiu duas posições no ranking estadual, de 48º para 50º, mas ainda se manteve entre os 50 municípios mais ricos de Santa Catarina, com um PIB de R$ 1,09 bilhões.

Garuva está entre as 50 cidades mais ricas de Santa Catarina. Fonte: IBGE

Quando o assunto é PIB per capita, – que nada mais é que o produto interno bruto dividido pela quantidade de habitantes, ou seja, cerca de 18 mil segundo estimativa do IBGE -, Garuva se destaca: são cerca de R$ 60 mil por habitante, o que dá ao município a 3ª colocação entre os municípios da região de Joinville e a 14ª no ranking estadual. No parâmetro nacional, Garuva ocupa a 258ª posição da categoria.

Anos áureos

O ano anterior foi considerado áureo para a economia do município, quando Garuva atingiu 17,41% de crescimento e adentrou pela primeira vez ao seleto grupo de cidades brasileiras com o PIB superior a 1 bilhão de reais. Em 2017, a alavancada foi ainda maior: 37,65%.

Uma análise do passado; um olhar para o futuro

Em entrevista ao Folha Norte SC o prefeito Rodrigo David (MDB) pontuou que já previa o baixo crescimento do PIB municipal, destacando que, em 2019, as empresas ficaram com muito estoque, o que baixa o valor agregado. As empresas venderam, mas compraram materiais que ficaram em estoque. “A inflação também prejudica a movimentação do PIB. Devido a política econômica federal, o PIB movimenta de forma lenta ou até negativa”, destacou Rodrigo.

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Para estimular o crescimento do Produto Interno Bruto garuvense, Rodrigo afirma que está trabalhando em alguns pontos cruciais: “O empreendendorismo é muito dinâmico e a administração está atenta as mudanças necessárias para não travar investidores e desta forma dificultar o investimento, diminuindo o PIB local. Mudanças na legislação, como o Plano Diretor e Lei de Incentivos foram realizadas, com foco no momento atual da cidade. O município com sistema educacional organizado, baixa criminalidade e boa infraestrutura urbana também atrai esses investidores cada vez exigentes”.

Novos investidores em Garuva

Garuva conta atualmente com 2.086 empresas instaladas no município, sendo 331 indústrias; quando o assunto é a chegada de novos negócios, Rodrigo afirma que o vê com perspectivas extremamente positivas. Para o prefeito, o município usufrui de uma ótima localização estratégica para escoamento de produtos, além de uma “ótima relação com executivos do Porto Itapoá, investimentos já instalados, como o complexo BrasPark dão a confiança necessária para que essas empresas escolham Garuva”, completou.

Novas empresas estão se instalando no município. Foto: Herison Schorr

O projeto “Garuva mais qualificada” também será um quesito positivo no momento de se concretizar a escolha para a instalação da empresa, como ressalta Rodrigo. Para ele, a demanda de moradores locais aptos terá um incremento substancial na relação com a oferta de novas vagas. “A agilidade na emissão do alvará e das licenças ambientais é outra questão que deu conceito elevado ao município na atração de novos investimentos”, complementou.

Rodrigo também reitera que o município trabalha com uma política de apresentação do seu potencial, para abrigar empresas, desde 2017, quando o governo focou em ações de divulgação do potencial industrial do município, que é geograficamente muito bem localizada, com ênfase em logística. “Essas empresas atuam com prestação de serviços, o que gera relevante incremento na arrecadação do município”, disse.

Crescimento na agricultura

O que um dia foi o principal gerador de receita municipal, hoje a agricultura se mantém na terceira colocação quando analisamos os setores que geram riquezas em Garuva, atrás de indústria e serviços, praticamente empatados. Porém, no ano de 2019, a agricultura municipal saltou de R$18 milhões em 2018 para R$ 23,8 milhões em 2019, um crescimento de 32%.

A rizicultura ainda é forte no município e contribuiu para a elevação do PIB de Garuva. Foto: Herison Schorr

Ao analisar esta ascensão agrícola do município, Rodrigo acredita ser um reflexo da gestão por recuperar a credibilidade com o agroinvestidor, agricultor familiar e produtores que geram bom número de empregos. “As boas condições das estradas para escoar sua produção, programas que voltaram a funcionar, como o Porteira Adentro e Hora Máquina, também incentivam o morador das áreas rurais a permanecer no campo. A concorrência de unidades bancárias no município também influenciou, afinal criam programas e propostas que tem como público alvo o agronegócio”, explicou o prefeito.

Ciclone bomba e pandemia: fatores que derrubarão o PIB garuvense?

A pandemia da Covid-19 fez o Brasil registrar uma queda no PIB de 4,1% em 2020. Os impactos causados na economia de Garuva serão revelados pelo instituto no final deste ano. Outra questão que preocupa é tentar decifrar o quão prejudicial foi o ciclone bomba para o crescimento do PIB garuvense, à medida que o fenômeno natural causou um prejuízo que beira os R$ 30 milhões ao município, principalmente na agricultura.

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Porém, Rodrigo é enfático ao afirmar que os números obtidos pela Prefeitura mostram que Garuva não parou de crescer. “A arrecadação cresce a cada ano e com isso surgem novos investimentos, novas obras e melhorias nas condições da população. Acreditamos que apesar do ciclone bomba e pandemia, os números sejam melhores a cada ano, com o município crescendo em um ritmo exponencial”, tranquilizou.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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