Opinião: E se ‘rebatizássemos’ a praça Pedro Ivo Campos com o nome de um garuvense?

Batizada para homenagear um governador catarinense, o nome da praça mais emblemática do município parece não ser bem aceito pela população, que acostumou-se em denominá-la como “Praça da Matriz ou ‘Praça da Igreja’; saiba porque a escolha de um nome local é importante para a identidade cultural de Garuva

A histórica e mais emblemática praça de Garuva passa por uma considerável revitalização, após cerca de 40 anos de criação. Sua primeira construção minuciosa tornou-a repleta de simbolismos, que faz a população do município se identificar com cada elemento presente no local, como as pequenas elevações, que remetem ao relevo da região; a cascata e lagoas, que simbolizam a abundância aquífera municipal, e exemplares de espécimes da flora garuvense. Outro fator decisivo que torna a praça o coração da cultura de Garuva são as principais celebrações municipais que ocorrerem em torno dela: Festa do Colono e do padroeiro São João Batista, com o acendimento da fogueira da celebração no gramado do local. Porém, dentre tantas representações que nos ligam ao nosso sentimento de pertencimento ao município, um dos elementos da praça destoa: o seu nome.

Praça Pedro Ivo Campos. Foto: Herison Schorr

Batizada de Pedro Ivo Campos, político catarinense que foi deputado, prefeito de Joinville e governador de Santa Catarina na década de 80, o nome, que também batiza outros monumentos do Estado, como uma das principais pontes que liga a ilha de Florianópolis ao continente, parece que, desde os primórdios de sua fundação, não foi absorvido pela população de Garuva, que acostumou-se a denominar o espaço como ‘Praça da Matriz’ ou ‘Praça da Igreja’, devido à proximidade que a praça tem com a igreja São João Batista, além do monumento do padroeiro presente no local, que tornou-se ponto turístico atrativo para o município. Com esta espécie de ‘rejeição’ ao nome original da praça, abrimos o debate sobre uma decisiva possibilidade: e se ‘rebatizássemos’ o nome da praça para homenagear alguém que esteve entre nós, um garuvense?

Para analisarmos este processo que tornou a praça Pedro Ivo Campos um símbolo histórico e cultural de Garuva, e da importância que seria seu batismo com um nome de um morador local, precisamos analisar três conceitos que se complementam: cultura, identidade cultural e sentimento de pertencimento.

Cultura e identidade cultural

De acordo com os estudos do sociólogo britânico Anthony Giddens, a cultura é identificada como um conjunto de informações herdadas e aprendidas, que os indivíduos adquirem a partir de seu convívio social. Estas informações podem ser representadas, por exemplo, como: nossa língua, crença, culinária, normas, valores e manifestações artísticas. No campo da arte, a cultura de uma determinada pessoa pode ser sintetizada e expressada em diferentes formas, como: dança, teatro, escultura, pinturas, construções arquitetônicas, entre outros.

Se identificarmos as características da praça como representação simbólica de nosso município, que gera em nós um sentimento de assimilação ao que é expressado por suas estruturas e as lembranças que construímos com o local, – lembranças essas que passamos pelas gerações -, chegamos à conclusão de dois fatores: a crianção entre os moradores de Garuva de uma ‘identidade cultural’ que, devido à semelhança dos mesmos conhecimentos adquiridos sobre algo lhes dão um sentimento de pertencimento a uma comunidade, e a legitimação de que ela, a praça, é uma representante da cultura do município.

Lagoa da praça Pedro Ivo Campos. Foto: Herison Schorr

O sentimento de pertencimento

No âmbito do sentimento de pertencimento, o psicólogo social americano Roy Baumeister o analisa como natural da espécia humana, como uma forma primordial de sobrevivência. Segundo o especialista, o ser humano possui uma necessidade básica por pertencimento, o que motiva a busca por relações sociais profundas e positivas e tal necessidade é fundamentalmente básica para uma vida saudável e satisfatória. Neste sentido, sentir-se pertencente a um determinado grupo social, como à comunidade de Garuva que construiu um conhecimento por meio de experiências em conjunto, nos dá segurança para a nossa evolução social como indivíduo.

A questão de um novo nome para a praça, que poderá homenagear um indivíduo deste grupo social, estimulará a criação da última ligação restante, e necessária, entre os moradores com seu patrimônio público, legitimando a importância da perpetuação da cultura de Garuva e do próprio povo garuvense, que será representado por um dos seus.

Como sugestão, a escolha de um novo nome para a praça Pedro Ivo Campos pode surgir em votação com os alunos do município, que terão contato com a história daqueles que tornaram-se, de forma voluntariosa, agentes do desenvolvimento cultural e educacional de Garuva, olhando, assim, para as pessoas simples que não pertenciam às elites políticas, mas que desafiaram as próprias limitações sociais, para eternizar suas ações frutíferas na história do município.

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Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

2 Comments on "Opinião: E se ‘rebatizássemos’ a praça Pedro Ivo Campos com o nome de um garuvense?"

  1. Jonas schenekemberg | 29/06/2021 at 9:09 am | Responder

    Foi prefeito de Joinville, e de garuva??? Temos que por nomes daqui, não de fora, o mesmo já tem o nome da rodovia de garuva.

  2. Praça São João Batista

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