O protagonismo das mulheres catarinenses no desenvolvimento econômico sustentável do Estado

Elisa Faride Seleme, 65 anos, atuou como bancária durante 30 anos e foi a primeira mulher em Florianópolis a assumir posição de chefia de unidade de ponta em um banco. Pouco antes de se aposentar, antes de completar 50 anos, se formou em bacharel em turismo e começou a se aprofundar em questões ambientais e sustentáveis. Foi quando resolveu tirar o pó da máquina de costura da mãe e começou a praticar a costura criativa.

Elisa Faride Seleme, 65 anos, atuou como bancária durante 30 anos. Foto: Acervo

Ao participar de feiras de artesanato, como expositora, percebeu o potencial de criar uma feira permanente no Parque Linear do Córrego Grande, próximo onde mora. Com o apoio da Associação dos Moradores do Sertão do Córrego Grande, criou um espaço para artesãs e artesãos exporem suas peças, como forma de gerar renda e emprego. Hoje, ela é coordenadora da feira que possui 50 profissionais cadastrados.

O protagonismo de Elisa no artesanato catarinense não para por aí. Durante a pandemia, a feira do Córrego foi a primeira a inovar e começar a vender peças pelo Instagram e a criar um leilão no WhatsApp, servindo como inspiração e estratégias para outras no estado como forma de driblar a crise. 

Hoje, ela é membro da Comissão de Avaliação e Vistoria de feiras permanentes de atividade artesanal em Florianópolis, analisando produtos e auxiliando na fiscalização de peças. A convite da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE), participa de curadorias auxiliando na classificação de artesãos e produtos catarinenses para participação em feiras nacionais. 

“Sinto muito orgulho de ser artesã e mulher à procura de nossos espaços e de nossos potenciais, bem como ser um veículo para que outras artesãs tenham oportunidades para expor e vender suas criações. Considero muito importante o apoio e a organização da colaboração solidária, que existe principalmente entre as mulheres, servindo como uma estratégia que agrega na economia solidária com trabalho e qualificação”, conclui.

O secretário da SDE, Luciano Buligon, destaca que o desenvolvimento sustentável é papel de todos na sociedade e que as mulheres contribuem muito para esse tema. “Nós temos excelentes exemplos em Santa Catarina de mulheres que lideram ações na busca do desenvolvimento sustentável. Na questão do meio ambiente, existem estudos que destacam um maior envolvimento e engajamento das mulheres. Parabenizo a todas as catarinenses que contribuem para gerar renda e trabalho e auxiliam na proteção do meio ambiente e na inovação e conhecimento no nosso estado”, destaca. 

Protagonismo na preservação do meio ambiente 

Outra mulher que atua no desenvolvimento sustentável no Estado é Paula Tonon Bittencourt, que trabalha com educação ambiental desde 2009, quando participou da formação dos Grupos de Trabalho de Educação Ambiental de Santa Catarina. Os grupos são instrumentos para a implantação da Política e do Programa Estadual de Educação Ambiental no estado, tendo sido criados por decreto.

Paula foi voluntária em um dos grupos por 10 anos e hoje é voluntária no Comitê de Bacias do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, em Tubarão. 

A ambientalista coleciona ações de proteção ao meio ambiente. Além de personificar a personagem Nossa Senhora dos Resíduos na peça teatral de mesmo nome e produzida por ela, Paula é idealizadora de workshops para a conscientização e educação ambiental nos Projetos Pedagógicos das Escolas de Tubarão e região. Além disso atuou na Mobilização socioambiental do programa Trato do Rio Capivari, esteve à frente da Semana Lixo Zero em Florianópolis e também ajudou com a coordenação do festival de documentários socioambientais, Planeta.DOC.

Paula também é consultora de educação ambiental da Bacia do Rio Paraíba do Sul que abrange os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, assessora o Instituto Ambientes em Rede (IAR) para a divulgação de Eco-Escolas pelo Brasil. 

Na semana do Dia Internacional da Mulher, ela destaca o engajamento de todos, principalmente das mulheres, nos cuidados ecológicos. “Educação Ambiental é assim, precisamos nos mobilizar, nos inteirar e participar em diversos grupos para potencializarmos esse acordo planetário que é ambientalmente equilibrado, socialmente justo e economicamente viável para todos”.

Protagonismo em inovação, pesquisa e empreendedorismo

Andréa Maristela Bauer Tamanine possui uma trajetória extensa na área de pesquisa e inovação no Estado. Ela é professora da Universidade da Região de Joinville (Univille) e desenvolve estudos e projetos na área de Propriedade Intelectual, Gestão da inovação, Habitats de Inovação e Gestão de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) desde 2006. 

Com uma bagagem de conhecimento que inclui especializações até em outros países, Andréa coordena o projeto de ativação do Centro de Inovação do Planalto Norte, que atua regionalmente e tem sede em São Bento do Sul. Além disso, é membro de diversos conselhos, entre eles o Conselho Deliberativo da Incubadora Tecnológica ITFETEP e do Parque Tecnológico Inovaparq, na Univille. Por causa do extenso currículo na área da inovação e pesquisa, foi a primeira mulher a assumir a pasta de Desenvolvimento Econômico de São Bento do Sul.  A profissional destaca a importância das mulheres no mundo da tecnologia e inovação e incentiva todas pela busca da qualificação. 

“Muitas vezes fui a única especialista mulher nesses ambientes de inovação e é muito importante que muitas outras abram seu espaço. Desde 2019, temos feito um trabalho intenso para alavancar a cultura da inovação na comunidade e as mulheres recebem atenção constante. Ao final de março, inclusive, teremos um evento para criar oportunidades na indústria criativa para mulheres na região, visando estimular o seu lado inovador e o empreendedorismo”, enfatiza.

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