Garuva diz adeus a Matteo, o menino que fez uma cidade orar

Em meio à neblina que ainda se dissipa, Garuva se desperta entristecida. Matteo Ademir Santos, prestes a completar dois anos, nos deixou às 6h58min desta quinta-feira (16), após não resistir às complicações de uma infecção.

Pelas redes sociais, o população acompanhou, nas últimas semanas, a perseverança dos seus pais que, com vídeos diários do quadro de saúde do filho, informavam a população. Aos poucos, cativavam-nos com as notícias daquele menino cheio de risos e de cabelo cacheado, ao ponto de fazermos acreditar que Matteo era da nossa casa, brincava em nossos quintais, sorria em nossos porta-retratos; um pedaço da gente.

Houve comoção e mobilização, com campanhas de doação de sangue, para ele, para tantos que necessitavam ao seu redor. Um menino que fez a nossa rotina parar, despertando-nos o sentimento de compaixão por quem nem conhecemos e que talvez nem iremos conhecer.

Há uma foto dele no colo da mãe, e uma vontade imensa de tê-lo no colo também, para embalá-lo nos melhores sonos e emaná-lo o que há de melhor em nós, mesmo que seja insignificante para alguém que já é precioso.

Há um berço vazio, hoje; um colo sem seu calor, uma casa de quartos fechados que ainda guardam seu perfume. Mas também há a certeza do que não se pode ver, mas sentir; do colo que espera do outro lado; da pele longe de tudo que dói; da serenidade do despertar ao adormecer.

Há a gratidão por termos a chance de conviver entre nós, tão imperfeitos, de poder tocar, abraçar, beijar a essência da mais pura perfeição de um Criador.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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