Especialistas explicam frequentes encalhes de baleias-jubarte no litoral catarinense e paranaense

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos já registrou neste ano 26 baleias-jubarte sem vida

O grande número de baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) registrados no litoral brasileiro nos últimos meses está chamando a atenção da população e alertando os pesquisadores. Basta acessar as redes sociais para conferir diversas fotos e vídeos destes grandes animais em quase toda a costa. A presença das baleias-jubarte é comum no litoral do Brasil, pois entre julho e novembro, elas migram até o Sul da Bahia para reprodução e os estados de Santa Catarina e Paraná estão na rota deste percurso. Entretanto, não costumam passar perto da costa e por isso não são avistadas. Porém, neste ano, elas têm ficado muito próximas das praias. Infelizmente, os números de baleias-jubarte encontradas mortas também bateram recorde em 2021.

Baleia-jubarte encalhada em Itapoá no mês de junho. Foto: Divulgação

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) Área SC/PR, que desde 2015 monitora diariamente a costa litorânea de Laguna (SC) até Guaraqueçaba (PR) em busca de animais marinhos encalhados, já registrou neste ano 26 baleias-jubarte sem vida. Destas, nove foram encontradas no litoral norte catarinense, cinco em Florianópolis e sete no litoral paranaense. Um número muito superior aos anos de 2019, com total de sete registros, e 2020 com apenas seis.

Segundo o biólogo e coordenador geral do PMP-BS, André Barreto, este aumento pode ter diversas causas. “A população das jubarte no Oceano Atlântico felizmente está crescendo, o que pode contribuir com o aumento de avistagens, mas acredito que não aumentou tanto de um ano para o outro, para justificar essa diferença que estamos observando”, afirma Barreto. “Algo mudou neste ano para elas se aproximarem da costa, e não sabemos se foi algo na costa brasileira ou estamos vendo um reflexo de mudanças nas áreas de alimentação no continente Antártico”.

As equipes executoras do PMP-BS, sempre que possível, realizam o procedimento de necropsia nos animais encontrados sem vida com o intuito de identificar as condições de saúde em que eles se encontravam ao encalhar na praia e apontar possíveis causas que os levaram à morte.

Nos procedimentos realizados nas jubarte nesta temporada de 2021, os profissionais encontraram muitos indicativos de emalhes acidentais com redes de pesca. Não é possível afirmar que este seja o fator responsável por todas as mortes, mesmo assim, evidencia uma necessidade de um olhar coletivo para este problema. É preciso que a comunidade discuta a criação de estratégias que permitam aos pescadores continuarem suas atividades, mas ao mesmo tempo garantam a preservação do ambiente marinho. Cada espécie tem um papel na manutenção do ecossistema e a mortalidade excessiva de algumas pode desequilibrar o sistema.

Apesar do PMP-BS ter como foco os animais que encalham nas praias, as instituições executoras do projeto, têm tentado atender acionamentos da população para animais que estejam enredados, vivos ou mortos, mas ainda boiando no mar. Entretanto para estas atividades dependemos da colaboração de outras instituições que possuam embarcações, pois o PMP-BS não atua no mar.

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