Em Garuva, jovem grávida é expulsa de casa por companheiro

Mãe de uma menina de dois anos, gestante perdeu o emprego após empresa onde trabalhava fechar as portas

Uma jovem de 24 anos foi acolhida e alimentada na manhã desta quinta-feira (12) pelas professoras da Escola Municipal Tancredo de Almeida Neves. Segundo as profissionais, a mulher, que está grávida de seis meses, foi encontrada aos prantos e faminta ao lado da instituição, e relatou que havia sido expulsa de casa pelo companheiro, na noite desta quarta-feira (11).

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A jovem, que não quis se identificar por medo do companheiro, contou em entrevista ao Folha Norte SC que é natural de Tocantins e veio para Garuva em busca de uma vida melhor com sua filha mais velha, uma menina de dois anos, que naquele momento da entrevista estava na creche onde estuda. Há cerca de um ano e meio ela conheceu seu companheiro, outro jovem de 17 anos, que ‘cuidou de sua filha como se fosse dele’, contou. Mas, após descobrir que seria pai, de fato, passou a tratar mãe e filha de forma diferente.

Jovem grávida de seis meses é expulsa de casa por companheiro. Foto: Herison Schorr

“Eu posso voltar, mas só se eu for empregada dele, e só se eu dormir no chão com a neném, porque ela não é filha dele e ele passou a não aceitar”, contou a jovem sobre as condições impostas pelo companheiro. Mesmo com os maus-tratos, a jovem conta que a filha ainda pergunta por aquele que ela considerava como pai. “Me machucou muito, porque rejeitar um filho assim, dói”.

De acordo com a jovem, esta foi a segunda vez que foi expulsa de casa por não ceder às ordens do companheiro. Na primeira vez, chegou a dormir com a filha em uma lavação no bairro Giorgia Paula, há duas semanas, no período onde o município registrava as temperaturas mais baixas do ano. “Tive que agasalhar ela bem, com meus braços, porque não tinha agasalho. Ela só falava que estava com fome”, lembra a mãe que foi descoberta por moradores e levada com a filha ao abrigo montado na Escola Tancredo Neves, onde passou uma noite.

No dia seguinte, a mulher recebeu assistência social do município para hospedar-se em um hotel, mas optou por voltar com o companheiro. Após ser expulsa novamente, buscou pela escola acreditando ser, de fato, um abrigo para moradores em situação de rua.

Grávida de um menino, gestante perdeu o emprego após empresa onde trabalhava fechar as portas. Foto: Herison Schorr

Sem qualquer roupa para a filha ou para o menino que espera, a gestante conta que a situação também se agravou após a empresa onde trabalhava no município fechar as portas e dispensar os empregados. Com o salário, ela comprava alimentação e as fraldas da filha, algo não fornecido pelo companheiro.

O acolhida por uma orientadora

Eliane Nagel é orientadora escolar e foi uma das professoras que acolheu a mulher. A orientadora conta que chegou ao colégio e viu as funcionárias entregando um prato de comida à jovem. Ao conversar com ela, ouviu toda a história e a situação que a jovem grávida estava vivendo. “Ela estava chorando porque não tinha para onde ir e o quê fazer”, afirma a orientadora que levou a jovem mãe acompanhada pela filha para passar a noite em sua casa.

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Ação da assistência social

Lauro Felipe Raizer, secretário de Desenvolvimento Social e Habitação do município afirma que a jovem foi acolhida pelas assistentes sociais há cerca de duas semanas e orientada para aceitar o aluguel social e fazer um Boletim de Ocorrência contra o companheiro, mas se negou e optou por voltar para a casa dele. Agora, sabendo da situação, uma assistente social irá conversar com ela nesta noite para oferecer novamente o benefício.

Para os leitores que quiserem doar à jovem mãe roupas de bebê e criança com idade de dois anos entre em contato pelo Whatsapp de Eliane: (47) 997837083.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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