Em Garuva, filhos procuram pai desaparecido há 16 anos

Família busca por Claudeomiro Alves dos Santos, hoje com 56 anos, desaparecido desde 2005. A última vez que foi visto, estava na Praça Pedro Ivo Campos, em Garuva

Seis irmãos garuvenses buscam o pai Claudeomiro Alves dos Santos, atualmente com 56, desaparecido desde 2005. São 16 anos de aflição em busca de respostas para o sumiço dele.  “A última vez que vi ele foi em Garuva, na Praça ao lado da delegacia. Ele estava junto com outras pessoas, tive medo de me aproximar, e foi muito rápido. Logo, não o vi mais”, lamentou a filha Eila Cristina Alves, 33 anos, moradora da localidade de Barrancos. Segundo a filha, que tinha 17 anos na época de seu desaparecimento, o pai estava em situação de rua após tornar-se alcoólatra.

Foto 3×4 de Claudeomiro Alves dos Santos. Foto: Acervo

Eila suspeita que o vício ao álcool surgiu devido às suscetíveis e dolorosas perdas que o pai teve em intervalos curtos de tempo. “Perdeu pai e irmão bem perto, logo, após, teve que tratar um filho do câncer, foi uma luta por 2 anos, mas ele o perdeu. E devido a falta de estudo, não conseguia manter os outros seis filhos, então, de desgosto, fez ele cair de vez na bebida”, revelou. A última notícia que soube dele foi quatro anos depois de seu desaparecimento, quando uma conhecida da família supostamente tinha o visto circulando em São José dos Pinhais. 

Eila com a fotografia de seu pai. Foto: Acervo

A primogênita da família conta que, ao saber do possível paradeiro de Claudeomiro, mudou-se para Curitiba, onde iniciou uma jornada de procura por ele. Buscou por diversos meios, como delegacias e, inclusive, por uma rede de TV nacional, mas sem êxito. Em suas mãos, carregava a única foto que tinha do pai, que, aos poucos, se apagou com o tempo. 

Lembranças que ficaram no passado

Por ser a filha mais velha, Eila sempre ajudou a mãe nos cuidados com os irmãos mais novos, às vezes, segundo ela, tinha pouco tempo para si mesma. Numa bonita lembrança que tem do pai, reviveu uma delas, quando tinha, apenas, 14 anos. “Ele viu que eu estava muito triste, então, ele me convidou pra ir ao rio. Me deixou lá por uma meia hora, e se afastou, ficou olhando de longe. Passado um tempo, ele voltou, estava tomando sol. Ele, então, brincou jogando água e chamando pra ir pra casa, pois a mãe deveria estar preocupada”. Eila sugere que este doce momento com o pai pode parecer pouco, “mas, pra mim, foi a única demonstração de amor, já que, pela criação de seus pais, ele não se mostrava – o sentimento -”, complementa. 

Elisângela Alves dos Santos tinha apenas 10 anos quando guardou a última lembrança do pai: Claudeomiro indo embora. Criança, não entendia muito bem os motivos pelos quais ele havia deixado a família. E a saudade fazia presença no lugar paterno, principalmente, em uma data especial. “Nos dias dos pais, quando tínhamos que fazer trabalho ou cartas para os pais, eu não tinha pra quem dar, ou, quando via o pai de uns colegas vindo buscar os filhos, eu pensava nele. Lembrava de uma lembrança que tinha dele, que um dia ele veio na escola buscar a gente com uma bicicleta, fomos na garupa da bicicleta, na chuva, pra casa. Deu saudades dele”, contou.

Elisângela com uma fotografia de Claudeomiro. A foto foi tratada com filtro de envelhecimento. Foto: Acervo

Aos poucos, ela, sendo uma das filhas mais novas, e, segundo os irmãos mais velhos, a favorita de Claudeomiro, perdia com o tempo as lembranças da fisionomia do pai, pois não havia fotografias dele. Até uma das irmãs encontrar o único registro fotográfico do pai, em uma das buscas. A foto de identidade estava em um hospital onde o homem havia se consultado. 

“Deu vontade de chorar, pois fazia tempos que não lembrava como ele era, foi se apagando da minha mente, não tínhamos fotos, nada dele, nenhuma notícia, eu pensava: será que ainda está vivo? E se está, porque não entrou mais em contato com a família? Não sabia se estava com fome ou com frio nas ruas, isso sempre me agoniava, pensar em como ele estava e onde se encontrava”, explicou.

O mesmo sentimento foi compartilhado pela irmã mais velha que, segundo ela, sentiu um misto de alegria e tristeza ao ver uma foto nítida do pai, a qual, seria usada para as buscas por seu paradeiro. Com uma foto de Claudeomiro, as filhas usaram um aplicativo para envelhecê-la, tentando chegar próximo da aparência atual do homem, com seus 56 anos.

Cartaz montado pelos familiares com a foto da identidade de Claudeomiro e a adaptada com filtro de envelhecimento. Arte: Divulgação

Eila tem consciência de que a procura por seu pai pode gerar comentários como “ele preferiu o vício a nós”, mas, segundo ela, como filha mais velha, “vi o sofrimento dele pra tentar nos sustentar, só eu sei o amor, o cuidado  que ele tinha por nós”, confirmou.

Na segunda-feira (19), Eila enfatiza que os irmãos foram à Delegacia de Garuva e constaram que não havia um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento do pai, como sempre acharam, e receberam orientações para fazê-lo pelo site da Polícia Civil.

Para quem tiver informações do paradeiro de Claudeomiro Alves dos Santos, entre em contato pelo WhasApp: 47 988599433.

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Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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