Catadores de Itapoá veem renda cair após caminhões de outras cidades levarem parte do material reciclável

“Só conseguimos pegar, mesmo, o material que as famílias guardam em casa e me entregam”, afirma Arlene Fiedler, presidente da Associação de Catadores e Carroceiros de Itapoá, que emprega 17 famílias do município

Diariamente, deixamos do lado de fora de nossos muros punhados de materiais que passam pelo processo do uso ao desuso, tornando-se descartáveis para nossa concepção. Mas, em todas as manhãs de quinta-feira, ele vira fonte de renda para as 17 famílias que fazem parte da Associação de Catadores e Carroceiros de Itapoá, localizada no bairro Samambaial. 

Localizado no bairro Samambaial, associação emprega 17 famílias de Itapoá. Foto: Ian Lucas

Porém, nos últimos anos, o que era a ascensão econômica destas famílias, que vivem com a venda de materiais recicláveis, tornou-se uma disputa entre os catadores do município e caminhões de coleta ainda desconhecidos, vindos de fora de Itapoá. “Muito caminhão de fora vindo catar, muito, muito. Eles têm ido na frente dos carroceiros, e eles estão atrapalhando. A gente gera serviço; os de fora vêm e levam embora, o pessoal daqui consome, faz gerar o dinheiro aqui dentro”, enfatiza a presidente da associação Arlene Fiedler. 

Presidente da entidade Arlene Fiedler. Foto: Herison Schorr

Segundo Arlene, estes caminhões passam todas as manhãs de quinta na frente dos carroceiros da entidade e da coleta seletiva municipal, e acabam recolhendo grande parte dos reciclados. “Só conseguimos pegar, mesmo, o material que as famílias guaradam em casa e me entregam”, comenta.  Com os poucos materiais que conseguem recolher, as famílias da associação observam suas rendas definharem, chegando a, apenas, 600 reais em meses em alguns meses de pouca demanda. 

Famílias da associação observam a diminuição de suas rendas com a falta de materiais para vender. Foto: Ian Lucas

A presidente sugere que, para reverter esta situação, a associação estuda apertar ainda mais as contas da entidade para comprar um pequeno caminhão de coleta, “porque, senão, não vamos conseguir manter o inverno com esse pouquinho que está vindo”. Complementando a fala, ela explica que, durante a temporada, a coleta de material é um pouco melhor, devido ao número de veranistas presentes do município, mas, que, em épocas como esta, o material reciclável torna-se escasso. 

Em visita da equipe do Folha Norte SC à sede da entidade, conhecemos Marlene de Fátima Grein, de 44 anos, que trabalha há cinco anos na linha de frente da associação, como separadora. 

Marlene trabalha na linha de frente da associação, fazendo a primeira separação dos materiais recicláveis. Foto: Herison Schorr

Enquanto conversava com o repórter, abria os sacos de lixo que eram colocados em uma mesa e separava todos os materiais minuciosamente, cada qual em seu lugar, como os plásticos de diferentes cores e espessuras, vendidos separadamente. 

Sobre a conscientização da população de Itapoá com a separação do lixo, Marlene é otimista em afirmar que a comunidade está aprendendo, mas ainda lamenta com alguns objetos que encontra no seu dia a dia de trabalho. “Cocô de cachorro, injeção com agulha, seringas, papel higiênico misturado com a reciclagem…”, listou.

Um dos trabalhadores que sentiu na pele a falta de conscientização da população durante a separação do material foi o carroceiro Lauro Paulino, de 53 anos, que mostrou o talho que um caco de vidro mal descartado fez em uma de suas mãos.

Trabalhador da associação mostra marcas de cortes causados por cacos de lixo descartados de forma errada em Itapoá. Foto: Herison Schorr

Com a coleta de plásticos, papel, ferro e alumínio, a associação consegue evitar que cerca de 20 toneladas de materiais caiam por mês em aterros sanitários, gerando renda às famílias de Itapoá enquanto diminuem o impacto da degradação ambiental causada pelo lixo.  

Com as vendas do reciclado, por mês, geram em torno de 17 mil. O valor serve para pagar as despesas do galpão, além dos salários dos associados. “Mas quase não dá para o café”, lembra Arlene. 

Local onde os trabalhadores da associação fazem as refeições. Foto: Ian Lucas.

Ao finalizar a entrevista, a presidente comenta otimista que a população de Itapoá é consciente sobre a importância de separar o lixo e com os cuidados aos catadores,  “que põe vidros em caixinhas de leite para os coletores não se machucarem”, completa, mas sugere que ainda é necessário reforçar a importância de separar o lixo, contribuindo para o trabalho dos catadores. 

Associação estuda comprar um pequeno caminhão para ajudar na coleta. Foto: Ian Lucas

Em nota ao Folha Norte SC, a Prefeitura de Itapoá afirmou que não tinha conhecimento sobre caminhões de outros municípios coletando materiais recicláveis de Itapoá e, que, nos próximos dias, irá averiguar os fatos.

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Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

1 Comment on "Catadores de Itapoá veem renda cair após caminhões de outras cidades levarem parte do material reciclável"

  1. Ione Castelhano Bozza | 27/05/2021 at 7:20 am | Responder

    Bom dia nem sabia que tem aqui em Itapoá associação de catadores de reciclado, precisamos divulgar endereço e fazer campanha principalmente na temporada onde a quantidade de lixo é muito grande e devido a falta de consciência deixa nossa cidade muito suja.Att Ione

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