Ação Social de Garuva vê prateleiras esvaziarem com queda nas doações; demanda dobrou nos últimos meses

 “Filho chorando em casa e não tinha o que comer”, revela Santina Bisewski, 69 anos, presidente da entidade sobre os depoimentos das mães que, em alguns casos, fazem pirão de farinha, – quando tem -, para encher os estômagos das crianças

Doze pacotes de feijão; dez de arroz; quatro de bolacha; três de açúcar e macarrão. Estes são uns dos itens que restam nas prateleiras da Ação Social Nossa Senhora dos Pobres, em Garuva. Caso não haja reposição, eles serão os últimos pacotes de alimentos que serão distribuídos entre as cerca de 50 pessoas que procuram a entidade em busca de comida.

A fome gerada pela crise da pandemia alastrou-se tão rapidamente como o próprio vírus, e hoje reflete no aumento da demanda de garuvenses que procuram a entidade para saciar a fome. “Aumentou o dobro em comparação ao ano passado”, alerta Santina Bisewski, 69 anos, presidente da Ação Social. Segundo Santina, a perda da renda das famílias é um dos fatores principais para a falta de comida, com destaque para os idosos. “A partir dos 45, eles estão tudo pedindo”. De acordo com a presidente, muitos desta faixa etária também buscam leite para os netos que moram junto, mas em vão, já que o estoque deste alimento também está em falta.

Presidente da entidade acompanhada da vice apresentando a falta de alimentos na despensa da Ação Social Nossa Senhora dos Pobres. Foto: Rafaela Legnaghi

Santina observou que a queda nas arrecadações começou a impactar nas reservas da entidade após fevereiro, quando elas caíram drasticamente, “quase 90 %”, sobrando apenas doações de algumas entidades privadas assíduas à causa.

Falta dinheiro para buscar doações em outros municípios

Outro fator que prejudica a arrecadação da Ação Social é a falta de dinheiro para pagar o frete e buscar doações vindas, principalmente, de Joinville. “Esse ano, nós não fomos buscar porque não tinha dinheiro”, revela Santina sobre algumas doações que já perderam pela falta de caixa reservado para o pagamento de fretes, que chegam a 200 reais.  

Brindes foram doados para realizar ação entre amigos na busca de suprir as reservas da entidade. Foto: Rafaela Legnaghi

Para tentar suprir a falta de caixa, as responsáveis pela entidade fizeram uma ação entre amigos, que contou com o sorteio de brindes doados pela comunidade.  O valor arrecadado foi de 956 reais, que serão utilizados para pagar despesas atrasadas da Ação.

“A fome dói”

Com o aumento da busca de moradores por comida, Santina também enfatiza as inúmeras histórias que chegam à entidade, de pessoas que já foram visitadas pela fome. “Filho chorando em casa e não tinha o que comer”, revela sobre os depoimentos das mães que, em alguns casos, fazem pirão de farinha, – quando tem -, para encher os estômagos das crianças. 

Freezers estão praticamente vazios. Foto: Herison Schorr

Com a escassez de alimentos para doar, a presidente pede o apoio de empresários de Garuva para o abastecimento da despensa. “Como não tem o que oferecer, a gente fica triste, porque a fome dói. Com duas mudas de roupa, passamos o ano; agora, comer, precisamos todos os dias”, lamenta.

Para os leitores que quiserem doar para a Ação Social Nossa Senhora dos Pobres de Garuva, entre em contato pelo WhatsApp: 47 996055532.

Siga o Folha Norte SC no Facebook e receba mais notícias de Garuva e região!

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

Seja o primeiro a comentar

Deixe um comentário

Seu email não será publicado


*