“A cena que a gente presenciou foi muito impactante”, diz um dos primeiros bombeiros ao chegar no local do acidente na Curva da Santa

Em um dos momentos de maior comoção, o bombeiro Marcus Vinicius Ceschini Santos relata o atendimento das crianças que, em maioria, não sobreviveram à tragédia. Dentre elas, havia um bebê já sem vida, de aproximadamente seis meses, que foi ejetado do veículo

Marcus Vinicius Ceschini Santos, 33 anos, é soldado chefe de socorro do Corpo de Bombeiros Militar de Garuva e faz parte da primeira equipe, composta por nove socorristas, a chegar ao local do acidente, na Curva da Santa, em Guaratuba (PR). Em entrevista ao Folha Norte SC, o bombeiro relatou as primeiras impressões que teve com a tragédia e os procedimentos com as 57 vítimas do ônibus vindo de Ananindeua (PA).

Cinquenta e sete passageiros estavam dentro do ônibus, dentre eles, 19 morreram.
Foto: Divulgação

Segundo Marcus, quando a guarnição chegou ao local, foram informados pela Autopista que seria um tombamento com ônibus, e que haviam mortos no local. Mas, quando tiveram o primeiro contato com o acidente, viram a dimensão da tragédia. “A cena que a gente presenciou foi uma cena muito impactante, porque haviam corpos de vítimas fora; tinham vítimas vivas fora do veículo, tinha bastante gente dentro do veículo gritando de dor, então foi uma cena bem caótica”, conta. Com o capotamento, a parte superior do ônibus foi parcialmente amassada, vitimando, segundo o bombeiro, entre cinco e seis passageiros na hora do impacto e ejetando nove para fora.

Assim que tiveram noção da gravidade do acidente, a equipe de bombeiros realizou o atendimento Start que consiste em dividir, com crachás de cores, o grau da necessidade de socorro: Verde para vítimas com ferimentos mínimos; amarelo para vítimas com ferimentos moderados; vermelho para vítimas com ferimentos graves e o crachá preto destinados para os mortos. De acordo com o soldado, à medida que as vítimas eram classificadas, elas eram encaminhadas para os atendimentos das unidades de Santa Catarina e Paraná que já haviam chegado ao local e aguardavam na pista, com ambulâncias e helicópteros.

Quatro helicópteros ajudaram no atendimento às vítimas. Foto: Divulgação

Em um dos momentos de maior comoção, o bombeiro relata o atendimento das crianças que, em maioria, não sobreviveram à tragédia. Dentre elas, havia um bebê já sem vida, de aproximadamente seis meses, que foi ejetado do veículo. “Segundo a relação de passageiros, a princípio, tinham quatro crianças. Infelizmente, três vieram a óbito e uma criança foi conduzida ao Hospital Infantil de Curitiba”, conta.

Das conversas que ouviu dos sobreviventes, Marcus afirma que havia o consenso do relato de que a viagem estava tranquila, e não sabem se o motivo do acidente foi a velocidade do ônibus ou uma pane mecânica.

Classificado como o acidente mais grave, o qual, presenciou, o socorrista afirma que, mesmo com a rotina de ocorrências com mortes, as cenas que viram hoje foram chocantes até mesmo para quem trabalha na área. “Nós conversamos bastante para ver se alguém precisa de apoio psicológico, e, caso seja necessário, damos o apoio para este bombeiro”, salienta.

Guarnição de Garuva após a ocorrência. Foto: Divulgação

Marcus ressalta que foi feito o que esteve ao alcance dos socorristas, que foram os primeiros a chegarem no local e receberam o apoio de quatro aeronaves, além de bombeiros do Paraná, profissionais da Autopista e do Samu. “Todas as vítimas foram bem amparadas. Foi uma fatalidade aquelas que entraram em óbito, mas, as que tinham chances de sobrevivência, com certeza, tiveram o amparo muito proveitoso da ocorrência”, finaliza.

Leia também: “A grande maioria estava vindo de viagem a trabalho”, afirma secretário de Assistência Social de Garuva sobre acidentados da Curva da Santa

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

2 Comments on "“A cena que a gente presenciou foi muito impactante”, diz um dos primeiros bombeiros ao chegar no local do acidente na Curva da Santa"

  1. Lindamir Aparecida Machado | 25/01/2021 at 9:33 pm | Responder

    Esses 9 ejetados certamente não usavam cinto de segurança. Pobre bebezinho.

  2. Claudio Friddus | 25/01/2021 at 10:15 pm | Responder

    Trabalharam com toda energia nessa tragédia. Deus abençoe a todos!

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