Campo Alegre completa 124 anos de desenvolvimento em meio ao paraíso serrano

O que era um caminho entre Santa Catarina e Paraná, tornou-se ponto de parada e morada daqueles que admiraram-se por sua beleza

Denominado como Paraíso da Serra, o município de Campo Alegre, única cidade do Planalto Norte onde o Folha Norte SC atua, completa 124 anos, nesta quinta-feira (18). Devido a pandemia da Covid-19, as comemorações como a Festa Estadual da Ovelha e o Ovelhama foram canceladas.

Centro de Campo Alegre. Foto: Herison Schorr

Para celebrar as belezas e as memórias que permeiam os campos de araucárias e erva mate, o Folha Norte SC elaborou uma programação especial exclusiva para o município aniversariante.

O caminho

Os primeiros registros históricos sobre o município de Campo Alegre datam de 1851 quando as divisas das províncias do Paraná e Santa Catarina eram indefinidas. De um lado, o Paraná considerava a divisa pelo Rio Negro, com sua nascente localizada no Quiriri; do outro, as mesmas divisas eram reivindicadas à princesa Dona Francisca após serem doadas por seu irmão Dom Pedro II quando ela se casou com o príncipe de Joinville.

Estrada Dona Francisca em seus primórdios. Foto: Acervo

Com a fundação da colônica Dona Francisca, criou-se a ‘Cia. Colonizadora de 1849’ pelas mãos do então Senador Alemão, Christian Mathias Schroeder Schroeder, a qual contratou com o governo imperial a colonização das terras da Princesa por europeus.

No período de 1853 a 1857, engenheiros fizeram diversas explorações para uma melhor e mais fácil subida da serra, encontrando a melhor maneira pelo Vale do Rio Seco. Em 1858 por solicitação da Cia. Colonizadora, o governo imperial aprova a construção da estrada, que ligaria Joinville, São Miguel, Tijucas do Sul e Curitiba.

Primeiras construções de Campo Alegre. Foto Acervo Fatima Hofmann

Quando a construção da estrada chegou onde hoje é a cidade de Campo Alegre, aqui já existiam alguns moradores, localizados ao lado do Salto Branco. No dia 23 de Agosto de 1827 o governo imperial começou a medição dos lotes coloniais e construiu o primeiro rancho de Campo Alegre, na hoje localidade de São Miguel, distante apenas 5 km do centro da cidade.

Deposito de erva mate. Foto: Acervo Lauro Schwarz

Em 1888 o povoado de Campo Alegre tornou-se distrito de São Bento do Sul, e aos 18 de março de 1897 conquistou sua emancipação política e administrativa. A Serra Dona Francisca acabou transformando a povoação na rota obrigatória entre Santa Catarina e Paraná. O que era um caminho entre Santa Catarina e Paraná, tornou-se ponto de parada e morada daqueles que admiraram-se por sua beleza serrana. Além da localização privilegiada, Campo Alegre ainda contava com a fartura da erva-mate e, com o tempo, com o desenvolvimento dos rebanhos de ovelhas trazidas por seus colonizadores. Atualmente, o município tem 12 mil habitantes.

Casa do Sr. João Domingos em Campo Alegre.
Imagem captada no final do século 19 ou início do século 20. Foto: Acervo

Divergências sobre a origem do nome

Segundo a obra “Contos e causos de nossa gente”, publicada pelo escritor campo-alegrense Márcio Augustin, ainda há uma divergência sobre as três supostas origem do nome Campo Alegre.

A primeira delas, refere-se ao ano de 1829, quando subiram à Serra do Manso, vindos de São Francisco do Sul, imigrantes alemães com destino à colônia Rio Negro. Ao chegarem onde se encontra a Prefeitura, avistaram um belo campo na margem esquerda do Rio Turvo, viram veados correndo e perdizes voando, então o chefe da expedição teria afirmado aos presentes: ‘froeliches feld’, que significa ‘Campo Alegre’ em alemão.

Paisagem rural de Campo Alegre. Foto: Prefeitura de Campo Alegre

A segunda hipótese tem relação com os tropeiros que passavam pelo local. Segundo a obra, eles sempre encontravam veados e outros animais bebendo água ao pé das cascatas e rios de águas limpas, ou correndo por entre as araucárias gigantes e imbuias centenárias. Eles teriam batizado o lugar com o nome de ‘o pouso de Campo Alegre’.

A terceira e última sugestão sobre a origem do nome do município é de 1855. Numa visita ao Campo Jararaca, o engenheiro chefe de obras da estrada Dona Francisca, Carlos Augusto Wunderwald, teria dito ao conhecer o Salto do Imigrante a seguinte frase em alemão: ‘Leute dap spring mehr schon und dap froeliches feld, que significa: ‘Gente, que salto mais bonito e que campo mais alegre’.

Capital estadual da ovelha

A tradição da criação de ovelhas foi trazida à cidade pelos colonizadores europeus, a fim de aquecer a população do frio serrano característico de Campo Alegre. O município tem cabanhas especializadas na criação de raças como suffolk, humpshire, texel, dorper e ille de france.

Foto: Prefeitura de Campo Alegre

Em 2008, a cidade recebeu o título de Capital Catarinense da Ovelha, devido à qualidade de seu rebanho, com ovinos premiados em diversos concursos. Durante os meses quentes do ano acontece o processo de tosquia da ovelha e as propriedades criadoras abrem as portas para quem quiser assistir e também comprar a lã tosquiada. A carne da ovelha também é um forte atrativo na gastronomia da cidade.

A maior festa do Paraíso da Serra acontece anualmente, em março, próximo ao dia 18, data de comemoração do aniversário de Campo Alegre. Em 2019, em sua XXI edição, a cidade comemora 122 anos do que Campo Alegre tem de melhor, oferecendo aos turistas e campo-alegrenses uma programação recheada.

Cerca de 100 mil pessoas circulam por aqui durante os três dias de festa. Show nacional, apresentações culturais, gastronomia típica com carne de ovelha, artesanato local, exposições agropecuárias e esportes são algumas das atrações que atraem famílias de diversas regiões para prestigiarem a Capital Estadual da Ovelha. Devido a pandemia da Covid-19, a edição deste ano foi cancelada.

Cultura entre lãs

O artesanato campo-alegrense é diversificado, caracterizado principalmente pelos artigos produzidos com a lã de ovelha, como acolchoados, mantas, cachecóis, xales coloridos, ponchos e palas para todas as idades.

Foto: Prefeitura de Campo Alegre

A confecção das peças é totalmente artesanal, sendo utilizados na produção a roca de fiar e os teares manuais. Até mesmo o processo de tingimento da lã é natural, feito com cascas, sementes e folhas que conferem aos novelos de lã, cores bem diferentes do material industrializado. Esse processo pode ser visto no Cantinho do Artesanato.

Foto: Prefeitura de Campo Alegre

Na Fecampo é possível assistir às tecelãs confeccionarem palas, ponchos, tapetes e almofadas de lã de ovelha em teares de diversos tamanhos, além de poder encomendar o que melhor agradar. Já na Associação Mãos do Campo, além dos gorros, meias, cachecóis e pantufas em lã de ovelha, há também artigos de decoração em geral, presentes e utilidades para o lar.

Turismo rural e montanhismo

O conjunto de montanhas que compreende o Quiriri possui cerca de 30 cumes, cuja altura varia entre 1.300 a 1.580 metros. Dessas elevações é possível enxergar o mar e algumas cidades do norte do estado, como Joinville e as montanhas da Serra Dona Francisca, Garuva, Itapoá, São Francisco do Sul e a Baía da Babitonga, sempre em dias de tempo bom.

Foto: Prefeitura de Campo Alegre

Quiriri na língua tupi guarani significa ‘Silêncio Noturno’, e contam os antigos que ali era morada de índios e bugres. Os carroceiros que ali passavam sentido Curitiba escondiam seu ouro nas grutas do Quiriri para não serem assaltados pelos índios, pois as montanhas possuem várias cavernas, e também nascentes de água cristalina.

Foto: Prefeitura de Campo Alegre

O local faz parte de uma Área de Proteção Ambiental, que compreende os municípios de Campo Alegre, Garuva e Joinville. Há também uma casa disponível para aluguel por dia. O acesso ao topo das montanhas se dá a 56 km do centro da cidade, por estrada não pavimentada.

Com espaço para receber até 150 pessoas, o Sítio do Alemão é uma das inúmeras pousadas do município que oferecem aos turistas a oportunidade do contato com a vida no campo com um clima serrano. A pousada possui infra-estrutura completa para eventos como aniversários, batizados, casamentos, comunhões, confraternizações, grupos de melhor idade, retiros espirituais, entre outros. Conta com parquinho para as crianças, animais de criação, lago, mirante e quartos para pernoite.

Foto: Prefeitura de Campo Alegre

Além do salão para eventos, o Sítio do Alemão também oferece hospedagem em casa típica alemã, com decoração característica. Todos os quartos possuem camas de casal, de solteiro e banheiros, somando ao todo 4 quartos e 16 leitos.

Flor símbolo da cidade

A hortênsia é uma planta de folhas largas da Familia Hydrangeaceae, pertencente ao género Hydrangea Macrophyla. Também é conhecida por novelo (espanhol).

Foto: Prefeitura de Campo Alegre

Nos Açores, a flor é considerada invasora e perigosa para a flora nativa.A hortênsia é a flor símbolo de Campo Alegre, através da lei n° 2.823 de 17 de dezembro de 2003. Esse título foi dado devido à quantidade de hortênsias existentes no município, e a beleza que elas proporcionam.

A hortênsia é uma planta de folhas largas usada também como arbusto e cerca-viva em muitas residências da cidade. Sua variedade de tonalidades confere aos jardins um colorido especial no verão, com rosa, azul, lilás, roxo e branco. Já no inverno, suas flores secas servem como artigo de decoração, em cores naturais ou tingidas.

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Edição: Jornalista Herison Schorr

Formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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