Por que os temporais tornaram-se mais intensos este ano em Garuva, Itapoá e São Francisco do Sul?

A meteorologista da Epagri/Ciram Marilene Lima contou ao Folha Norte SC sobre os fatores que estão influenciando estas tempestades

A impressão que se tem é que eles se tornaram mais intensos este ano. Não foi nem um, nem dois, nem três que ouviu um vizinho proferir a famosa frase: “Desde que moro aqui é a primeira vez que vejo isso”. Os tradicionais temporais de verão dão ao ano de 2021 uma intensidade destrutiva talvez nunca vista antes.

Desde a madrugada do dia 31 de dezembro até os dias finais de fevereiro, milhares de moradores de Garuva, Itapoá e São Francisco do Sul são afetados de certa forma por eles. Casas foram alagadas; árvores foram arrancadas do solo com vendavais; uma microexplosão de ventos registrada em Itapoá e o excesso de chuvas consideradas uma anomalia em Garuva. Para compreender melhor o que acontece neste ano atípico, a meteorologista da Epagri/Ciram Marilene Lima contou ao Folha Norte SC sobre os fatores que estão influenciando estas tempestades.

Microexplosão em Itapoá gerou ventos de mais de 100 km/h. Foto: Acervo

Para a meteorologista, a percepção dos moradores sobre a intensidade das tempestades está correta. Segundo Marilene, três fatores ficaram bastante frequentes no mês de janeiro e foram fundamentais para gerar os grandes temporais: a atuação do sistema La Niña no oceano, que altera a temperatura do mar; a circulação marítima intensa no Litoral Nordeste de Santa Catarina, onde os ventos trazem umidade do mar que acaba ‘estacionando’ na Serra do Mar, causando as chuvas, e um fator bem importante: “Tivemos em dias consecutivos, de 8 a 20 de janeiro, um fluxo consistente de ventos úmidos que vieram do Norte do Brasil, isso também favoreceu o aporte de umidade”, destacou.

Enxurrada fez o rio Três Barras transbordar, em Garuva. Epagri/Ciram considerou como “anomalia” o excesso de chuva no município. Foto: Herison Schorr

Sobre a questão das mudanças climáticas, que poderiam estar influenciando as intensidades das tempestades,  Marilene levanta uma questão: “Não tem como discordar que estamos passando por períodos que ocorrem – as tempestades – com mais frequência, mas ainda não podemos dizer que estamos caminhando para o novo normal”, ressaltou.

Para ela, a intensidade das tempestades é uma realidade, mas a questão de que se elas irão tornar-se ainda mais intensas a cada ano ainda é relativa, pois, para a meteorologia, cada ano é diferente do outro. Por outro lado, quando mencionamos 2021, a meteorologista é enfática: “Este ano tivemos um maior número de ocorrência”, revela afirmado que a população deve sempre ficar atenta às previsões do tempo, e, de forma alguma, subestimar o poder da natureza.

Nuvens ‘supercélula’ 

No dia 20 de dezembro, a população de Itapoá assustou-se com a chegada de uma nuvem conhecida como ‘supercélula’ nos céus do município. Marilene explica que estas grandes nuvens geralmente ocorrem associadas a passagens de frentes frias e formações de áreas de baixa pressão. “Elas acabam tendo uma relação com algum tipo de outra condição atmosférica predominante do momento”, complementa.

Ela alerta que dentro ou embaixo destas nuvens podem ocorrer a formação de trombas d’água e tornados, por isso redobra os alertas de cuidados aos moradores caso observem uma delas chegando na região.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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