Retrospectiva 2020 Folha Norte SC: Um vírus que expôs a fragilidade humana

Relembre os abalos causados pela pandemia da Covid-19 nos municípios de Araquari, Campo Alegre, Garuva, Itapoá e São Francisco do Sul

É como se ao ano de 2020 fosse escolhido para mostrar à humanidade o poder de sua força; de grandes tempestades destrutivas a seres microscópicos capazes de mudar a história e revelar o quão frágil é nossa sociedade. Nas comemorações de Ano Novo, prestes a celebrar a segunda década do século XXI, as primeiras notícias de um vírus chamado de Covid-19 ainda desconhecido era divulgadas na China. Três meses depois, em março, os municípios de Araquari, Campo Alegre, Garuva, Itapoá e São Francisco do Sul eram abalados pelos decretos de isolamento que confinou a população em uma dura quarentena, e pelos primeiros casos de contaminação e mortes.

Primeiras imagens do vírus da Covid-19. Foto: Internet

O início da quarentena

São Francisco do Sul

As primeiras notícias sobre a Covid-19 publicadas pelo Folha Norte SC foi no dia 12 de março sobre a suspeita de duas possíveis moradores de São Francisco do Sul, que teriam sido infectadas pela doença em uma viagem à Itália, de acordo com a Vigilância Epidemiológica do município.

Naquele mês, a secretária de Saúde de São Francisco do Sul, Alessandra Mattar de Freitas, alertou: “Como é um vírus novo na nossa realidade, temos que tomar todas as preocupações. Ainda não sabemos como a doença vai se comportar no Brasil, mas precisamos ficar atentos e tomar todos os cuidados necessários para evitar a transmissão das doenças respiratórias”.

Como medida de prevenção, a primeira barreira sanitária do município foi montada no dia 21 de março, no bairro Rocio Grande, na entrada da cidade. Os agentes trabalharam no local identificando motoristas e passageiros vindos de outros municípios com possíveis sintomas de síndrome gripal.

Primeira barreira epidemiológica de São Francisco do Sul. Foto: Divulgação

No mesmo mês, seguindo de acordo com o decreto estadual, todas as atividades escolares das escolas estaduais e municipais foram suspensas. Naquela época, a população não imaginada que os alunos ficariam sem aula até o ano seguinte.

Escolas fechadas. Foto: Acervo

Garuva

Em Garuva, a primeira notícia publicada sobre a Covid-19 foi no dia 16 de março para esclarecer sobre o boato de que um morador supostamente contaminado teria participado de um jogo de futebol em um ginásio de esportes.

No dia seguinte, o governo de Santa Catarina emitia o primeiro decreto de Situação de Emergência, que foi acatado pelos demais municípios que fecharam seus comércios, escolas e demais estabelecimentos, levando os moradores ao isolamento domiciliar.

O decreto de permanecer em casa para conter o avanço da contaminação pelo vírus Covid-19 dividiu o país entre os que tiveram a chance de sobreviver protegidos em suas casas e os mais de 101 mil moradores de rua presentes no Brasil, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea.

Em Garuva, o Folha Norte SC entrevistou no dia 19 de março moradores de rua que estavam na Praça Pedro Ivo Campos, enquanto toda a população isolava-se dentro de casa, em quarentena.

Sem acesso aos meios de comunicação, os moradores contaram que reconheceram pelas movimentações atípicas das ruas que havia algo diferente que alterou a rotina da sociedade, e temeram por suas vidas.

“É toque de recolher, recolher pra onde?” questionou um dos moradores de rua sobre a hipocrisia social.

Moradores de rua temeram por suas vidas, enquanto a população de Garuva se protegia da Covid-19 isolados em casa. Foto: Herison Schorr

Paulo Sergio dos Santos, 41 anos, que havia chegado do Mato Grosso estava há 15 dias vivendo aos arredores da praça. Devido a uma suspeita de trombose na perna direita, estava com dificuldade para caminhar.

Um dos moradores que auxiliava Paulo afirmou que a população de rua tem dificuldade de ter acesso à informação. “Muitas vezes tu vai saber da informação depois que começou a morrer gente”, sugeriu.

Pai de três filhos, Paulo descobriu pelas pessoas que o auxiliava sobre a pandemia do novo coronavírus, que cobriu o planeta com um manto de incertezas e medo.

Como reflexo do isolamento social, muitos trabalhadores que vivem por renda diária tiveram suas atividades suspensas. Famílias inteiras perderam sua única fonte de renda e padeceram em meio a crise formada pela pandemia. Na segunda semana do isolamento da quarentena, o Folha Norte SC entrevistou famílias de pedreiros que estavam sem trabalho e com as despensas prestes a esvaziar por completo.

Com dois pequenos em casa, um de cinco e outro, ainda de colo, de um ano e cinco meses, Jéssica Bueno dos Santos, 23 anos, preocupou-se com a falta que a renda diária de R$ 40,00 faria à família, após seu marido ser dispensado da obra onde ainda trabalhava.

“Só hoje que o pai conseguiu quatro caixinhas de leite pra eles”, revelou apreensiva uma das mães.

Famílias garuvenses temeram a crise financeira e a possibilidade de contaminação pela Covid-19. Foto: Herison Schorr

Das cinco pessoas que moram na casa de Valdira Fátima Damais, 42 anos, os cuidados mais expressivos de prevenção contra o novo coronavírus foi com o filho de 15 anos que tem paralisa. “Lavamos as mãos dele com sabão, direto”, conta a mãe desapontada por não ter conseguido comprar álcool em gel para proteger o filho que locomove-se pela casa arrastando-se no chão, pois o espaço é pequeno demais para ele andar com sua cadeira de rodas.

Valdira e seu filho que locomove-se pela casa arrastando-se no chão, pois o espaço é pequeno demais para ele andar com sua cadeira de rodas. Foto: Herison Schorr

Seu marido, pedreiro, parou de trabalhar após o decreto do governo de Santa Catarina fechar locais com aglomeração de pessoas. “Ele quer trabalhar, mas não pode”, contou Valdira, que ainda revelou uma família sem reservas financeiras para comprar os alimentos que poderiam acabar em uma semana.

Itapoá

As primeiras ações sobre o reflexo da Covid-19 em Itapoá foi um estudo do comitê gestor para a possibilidade de instaurar barreiras epidemiológicas nos acessos do município. O anúncio foi feito no dia 18 de março, após o prefeito Marlon Neuber decretar Situação de Emergência em Saúde.

“É importante que todos tomem conhecimento para que não venham à cidade e se deparem com a cidade fechada, no momento, para fluxo turístico”, disse o prefeito naquele dia.

No dia seguinte ao estudo, a Prefeitura de Itapoá decretava o fechamento de todas as entradas do município para conter o avanço da doença na cidade. A decisão foi tomada após analisarem o aumento do fluxo de pessoas vindas de outros municípios.

Barreiras epidemiológicas em Itapoá. Foto: Acervo

Ficaram restritos de entrar em Itapoá veículos com registro de licenciamento e ocupantes vindos de municípios com contaminação comunitária pelo vírus Covid-19.

As mobilizações

Prestes a completar o primeiro mês de quarentena, os municípios de Garuva, Itapoá e São Francisco do Sul se mobilizaram para conter a propagação da doença, que já havia chegado na região.

São Francisco do Sul

Professores do Instituto Federal Catarinense (IFC), do Campus de São Francisco do Sul iniciarem na primeira semana de abril a produção de álcool em gel. Em um único dia, produziram 30 litros do material que foi doado para o município. O laboratório de química da instituição trabalhou em parceria com a empresa La Vertuan Dermocosméticos de Araquari, que doou dois agentes fundamentais para a fabricação do álcool em gel.

Professores da IFC de São Francisco do Sul. Foto: Acervo

Na semana seguinte, a Prefeitura de São Francisco do Sul montou no Terminal Walter Gama Lobo um Centro de Triagem para acolhimento, verificação e encaminhamento dos casos suspeitos de síndrome gripal da Covid-19.

Centro de Triagem de São Francisco do Sul. Foto: Acervo

No dia 20 daquele mês, o uso de máscaras passou a ser obrigatório para toda a população de São Francisco do Sul. A medida publicada pela prefeitura em decreto municipal n° 3.324 foi fiscalizada pela Polícia Militar. Quem a descumprisse seria sujeito a, primeiro, orientação e recomendação, e, após mais de uma chamada, a multa e detenção, conforme previsto no Código Penal, nos artigos 268 e 330. 

Garuva

Ainda no final de março, Garuva tornou-se o quarto município catarinense a realizar a desinfecção de locais públicos.

Upa de Garuva passando por desinfecção. Foto: Acervo

Para a sanitização, foi utilizado caminhão com equipamento de hidrojateamento equipados com bombas de alta de pressão possibilitando maior vasão e alcance dos jatos.

Em abril, o município criou o Comitê de Crise do Coronavírus. A primeira reunião foi realizada entre os membros por videoconferência. Com o apoio de entidades do município, o comitê atuou de forma coordenada para enfrentar a crise instaurada pela doença. “Ele tem – o comitê – como único objetivo a discussão técnica de ações que o poder público tenha que tomar diante da pandemia do coronavírus”, contou o prefeito Rodrigo David naquele mês.

O grupo, que definiu as ações no enfrentamento ao coronavírus, contou com a participação da Prefeitura de Garuva, Ministério Público, Câmara de Vereadores, Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Associação Empresarial de GaruvaCâmara de Dirigentes Logistas de Garuva, além das Secretarias de Saúde e Assistência Social.

Centro de Triagem de Garuva. Foto: Acervo

Criado em março, o Centro de Triagem ao Coronavírus mudou de endereço em abril e passou a funcionar na Unidade de Pronto Atendimento – UPA.

A população que apresentava sintomas respiratórios procurou este Centro de Triagem para atendimento, que ainda conta com uma equipe preparada para realizar o atendimento 24h por dia, todos os dias da semana.

Itapoá

Uma das primeiras ações realizadas em Itapoá foi do engenheiro e professor Ricardo Luiz Araujo, de 45 anos, que doou ao Samu de Itapoá cinco máscaras faciais do tipo face shield. Os equipamentos foram criados por meio de uma impressora 3D e servem para proteção individual utilizado em emergências médicas.

Professor Ricardo Luiz Araujo com atendentes do Samu. Foto: Acervo

No dia 13 de abril, a Prefeitura de Itapoá decretou a recomendação para o uso de máscara à população em geral. Para os servidores públicos, terceirizados do serviço público e trabalhadores do comércio, o uso de máscaras tornou-se obrigatório durante o período em que estiveram em serviço.

Os moradores puderam produzir suas próprias máscaras de tecido, com materiais disponíveis no próprio domicílio, respeitando as orientações de confecção e manuseio do Ministério da Saúde.

Cerca de 10 mil máscaras foram distribuídas à população de Itapoá ainda naquele mês. As doações iniciaram no dia 21 de abril e contou com o trabalho de, aproximadamente, 50 artesãs do município que estão envolvidas na confecção do material.

Máscaras produzidas em grande escala, em Itapoá. Foto: Acerbo

A ação envolve Secretaria de Turismo e Cultura, Secretaria de Desenvolvimento Social e Econômico, Mãos do Bem, Associação de Defesa e Educação Ambiental (ADEA) e Porto Itapoá, e teve como foco as pessoas que não tinham condições de adquirir suas próprias máscaras.

Araquari

A Prefeitura de Araquari, por meio da Secretaria de Saúde, realizou a distribuição de 25 mil máscaras de tecido desde 11 de maio, quando a ação iniciou. Teve direito a duas máscaras de tecido os moradores que fazem parte do grupo de risco: idosos, gestantes e portadores de doenças crônicas. 

Máscaras distribuídas pela Prefeitura de Araquari. Foto: Acervo

Em 21 de julho, Araquari determinou por meio de decreto municipal novas medidas que endurecem as punições contra estabelecimentos que descumprirem as regras sanitárias e de prevenção ao novo coronavírus. Naquele dia, município chegou a 309 casos de Covid-19. Entre as principais mudanças foi o fechamento desses locais por sete dias e a cada nova interdição, o acréscimo de mais sete dias.

Os primeiros contaminados e baixas

São Francisco do Sul

São Francisco do Sul teve o seu primeiro caso confirmado do novo coronavírus ainda no dia 28 de março. A primeira infectada foi uma mulher de 40 anos, que se encontrava em quarentena em casa, apresentando apenas sintomas leves da doença.

No dia 1° de maio, o município registrava a primeira morte pela doença. A vítima, Elival Rodrigues de Araújo, de 75 anos, era morador do Morro Grande e tinha outras comorbidades, como câncer no esôfago e no estômago, e era cardíaco. 

Garuva

No dia 17 de abril, um funcionário da Prefeitura de Garuva testou positivo para Covid-19. Segundo informações da assessoria de comunicação do município, ele havia chegado recentemente de São Paulo e apresentou os sintomas que confirmaram a doença após o teste.

A primeira morte por Covid-19 em Garuva foi dia 21 de maio. O paciente estava internado na UTI Hospital Municipal São José, em Joinville. Ele foi atendido no dia 14 de abril na Unidade de Pronto Atendimento de Garuva após sofrer uma queda e encaminhado ao hospital do município vizinho.

Covas abertas em Garuva. O município se preparava para as primeiras baixas pela doença. Foto: Herison Schorr

Durante a internação, apresentou os sintomas da síndrome gripal e foi submetido ao teste, o qual, recebeu o resultado positivo no dia 30 de abril. Desde então, o paciente permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva em estado grave.

Itapoá

No dia maio 28 de maio, Itapoá confirmava o primeiro caso de Covid-19 no município. Tratava-se de um profissional da área da saúde, cujo teste apresentou IGG reagente, ou seja, o profissional foi infectado pelo vírus, mas desenvolveu anticorpos e já estava curado.

Em 14 de junho, o município sofria com a primeira morte pela doença. O morador tinha 61 anos e estava em Joinville tratando de problemas de saúde pré-existentes e, ao apresentar sintomas da doença, foi testado para o novo coronavírus.

Campo Alegre

Campo Alegre registrou em 10 de junho o primeiro caso de Covid-19. Segundo nota da Prefeitura, o paciente era um homem de 24 anos que trabalha em uma empresa de Tijucas do Sul/PR.

A prefeitura do município divulgou a primeira morte por Covid-19 no município em 19 de julho. A paciente tinha 63 anos e estava internada na UTI, em Canoinhas.

A ascensão da doença

Entre junho e julho houve uma explosão de casos de Covid-19 nos municípios, segundo médico epidemiologista em entrevista ao Folha Norte SC, uma explicação para o crescimento das contaminações foi o fato de muitas pessoas ficarem desabrigadas devido ao ciclone bomba, saindo do isolamento.

No dia 21 de julho, os municípios contabilizavam 20 crianças infectadas pela Covid-19 na região: Três em Garuva, cinco em Araquari e 12 em São Francisco do Sul. O número de contaminação entre adolescentes era ainda maior: 39 em São Francisco do Sul, 13 Araquari e cinco em Garuva.

Centro de Garuva. Foto: Herison Schorr

Em 27 de julho, Garuva registrou naquele único dia 40 novos casos da doença que propagou-se, fazendo o município contabilizar 213 contaminados e superar o vizinho Itapoá, que estava com 205 casos da síndrome gripal.

Foi no mês de julho que as agentes de saúde de Garuva fizeram uma manifestação pacífica em frente à Prefeitura do município após sofrerem com comentários difamatórios nas redes sociais.

Manifestação pacífica das agentes de saúde de Garuva. Foto: Acero

Segundo os comentários, os agentes estariam propagando o vírus da Covid-19 durante visitas aos moradores, além de, segundo os boatos, não realizarem as visitas com frequência.

Em Araquari, no mês de agosto, quase duas mil pessoas responderam a uma enquete sobre o retorno das aulas presenciais. Destas, 76% afirmaram que não enviariam as crianças para a unidade escolar. 

Aluna de Araquari. Foto: Acervo

As despedidas

“Ela sempre pedia, sempre falava… Quando contei que estava grávida, foi só alegria”

Jéssica com a mãe Neversi, vítima da Covid-19. Foto: Acervo

São com estas primeiras palavras que Jéssica Fernanda Santin Novaes, 27 anos, revelou o maior sonho da confeiteira Neversi dos Santos Santin, de 51 anos: ser avó. Um sonho que foi realizado na gestação de apenas três meses, tempo suficiente para gerar o carinho fraternal entre Neversi com seu neto, que chegará no início de 2021, mas que não a conhecerá. Sua avó foi a sétima vítima da Covid-19, em Garuva.

Mesmo internada, a confeiteira mandava rotineiras mensagens para Jéssica, que estava isolada em casa, tratando-se. Ainda que a saúde de Neversi debilitava-se a cada dia, a vovó queria estar em paz com as boas notícias de que os sintomas da doença na filha eram leves, e também do “pitchuruco”, como já havia apelidado carinhosamente o bebê.

Áudio enviado pela avó internada na UTI, em São Francisco do Sul. Gravação/Divulgação

“Esperamos que o senhor tenha ido para um lugar melhor que nós, longe de toda essa loucura que é a humanidade”, disse uma das filhas de Otávio Alberto Ramos, de 77 anos, vítima da Covid-19.

Otávio Alberto Ramos, de 77 anos, vítima da Covid-19. Foto: Acervo

Amante de viagens e da vida; a devoção à família, e um amor condicional pelo próximo são os legados deixados pelo pai, avô e bisavô. “Tirava da boca dele para dar para os outros, sempre disposto a ajudar as pessoas; carregava todo mundo para cima e para baixo”, contou Priscila, uma das filhas.

“Ela era uma pessoa maravilhosa, muito querida por muita gente”

O que ficou foi a saudade e o orgulho da costureira Alzina Monteiro de Matos, 60 anos, que foi mais uma vítima da Covid-19, em Garuva. De acordo com a família, ela tinha diabetes como comorbidade.

Alzina deixou três filhas e oito netos. Foto/Acervo

Segundo uma das filhas, a dona de casa Vilmara Aparecida Alves, 37 anos, sua mãe era tão amada que, dias após sua morte, o telefone ainda não para de tocar, com ligações de familiares e centenas de amigos que a amavam.

As nossas esperanças

Cleusa Regina de Vargas de Araújo, 60 anos, diretora da pequena Escola Municipal Maria Martins Budal, no bairro Vila Trevo, em Garuva, teve sua rotina escolar transformada pela pandemia da Covid-19, assim como milhões de professores e alunos ao redor do mundo.

Diretora de Garuva ficou conhecida nacionalmente após reportagem do Folha Norte SC. Foto: Herison Schorr

Com consciência de que muitos de seus alunos enfrentam dificuldade de acesso à internet, por onde as atividades são repassadas, e da possibilidade de pais terem perdido os empregos e não poder pagar pelo serviço da rede, a diretora decidiu visitá-los, em manhãs específicas da semana, para levar as atividades e repassar o conteúdo escolar. “Não medirei esforços para que todos tenham acesso ao conhecimento”, ressaltou a diretora que analisou seu gesto como possibilidade do aluno não perder o conteúdo do ano letivo.

Em 15 de outubro, Campo Alegre zerou os casos ativos de Covid-19. Dos 167 moradores registrados com a doença, 162 se recuperaram e cinco haviam morrido.

O dia 6 de agosto foi celebrado pela população garuvense por ser um dia de recorde de recuperados. No total, foram 55 moradores que receberam alta do tratamento contra o novo coronavírus num único dia.

Edemilson Wielgosz, de 47 anos, com os filhos. Foto: Herison Schorr

O quão precioso é os sonhos dos filhos a um pai? Para o roçador Edemilson Wielgosz, de 47 anos, é o que lhe motivou a percorrer toda semana a BR 101, considerada a rodovia mais perigosa do Litoral Sul do Paraná, rumo a Garuva, Santa Catarina, onde os filhos de 16, 14 e 12 estudam. O motivo? A família não possuia computador, nem mesmo internet com frequência, para realizar as atividades escolares, que são buscadas pessoalmente pelo pai.

“A gente faz pelo amor aos filhos que a gente tem, não é qualquer pai que faz isso”, disse o roçador Edemilson, de 47 anos, que se esforçou para realizar os sonhos das crianças em se formarem no ensino médio.

Em agosto, no dia 13, São Francisco do Sul registrou o primeiro dia sem novos casos diários de Covid-19. O anúncio foi feito pela Prefeitura do município. Além disso, naquele dia, 18 pessoas tiveram alta.

O município de Itapoá zerou no dia 12 de novembro os casos ativos de Covid-19. Mas, mesmo com a diminuição dos casos, a Prefeitura do município ressaltou os cuidados para que a doença não voltasse a propagar-se entre os moradores.

Em São Francisco do Sul, assim como tantas professoras e professores que, hoje, se reinventam aos trancos, cliques e barracos para redescobrir uma nova forma de ensinar, encontramos Andrelize Cristina da Costa Rocha, ou “prof Andry”, como é conhecida pelos alunos, moradora do Centro Histórico e professora de Educação Especial no CMEI Pequeno Polegar no Paulas, em São Francisco do Sul.

Professora de São Francisco do Sul em ensino à distância. Gravação: Acervo

Gravar 300 vídeos em um único dia, em plena segunda-feira, pode parecer insano, desnecessário, mas, para ela, o motivo era nobre: entregar uma videoaula mais perfeita possível, para ser compreendida pelos alunos, principalmente, pelos de educação especial. A gratificação de tanto esforço está na evolução intelectual deles, que, mesmo do outro lado da telinha, aprenderam a aprender com esse novo método de ensino. 

11 de dezembro foi para Araquari um momento onde a população pôde cultivar esperanças com a possibilidade da chegada das primeiras vacinas contra a Covid-19.

Clenilton Pereira acompanhou a comitiva da Fecam ao Instituto Butantan para assinatura do protocolo de intenções. Foto: Acervo

O prefeito de Araquari, Clenilton Pereira, participou da cerimônia de assinatura do protocolo de intenções para aquisição de uma vacina contra o coronavírus, na sede do Instituto Butantan, em São Paulo. O acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e a Federação dos Municípios Catarinenses (Fecam), é para que a vacina CoronaVac seja enviada diretamente aos municípios catarinenses.

Com o acordo, o imunizante poderá ser adquirido pelos municípios após a aprovação da Anvisa. Para Clenilton Pereira, é interesse do governo municipal garantir a imunização para os munícipes. “Participamos desse momento para entender o processo de produção da vacina e entender como poderemos adquirir as doses para que os araquarienses sejam imunizados. É só com a vacinação que iremos vencer essa pandemia”, avalia o chefe do Executivo.

CoronaVac é uma vacina contra a Covid-19 sendo desenvolvida pela companhia biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech. A vacina utiliza uma versão quimicamente inativada do SARS-CoV-2, o tipo de coronavirus que causa Covid-19.

A segunda onda e nossas incertezas

Entre o final de novembro e início de dezembro, os moradores dos municípios de Araquari, Campo Alegre, Garuva, Itapoá e São Francisco do Sul viram o retorno do avanço da Covid-19.

Recordes de infecções foram novamente superados e novas vítimas foram ceifadas pela doença, neste momento que ficou conhecido como a segunda onda. A ação do vírus, que revelou a fragilidade da humanidade, ainda é presente em nossas vidas, reorganizando a sociedade em um novo modo de se viver, com as incertezas que o ano de 2021 ainda trará.

Até o fechamento desta reportagem, os números atualizados da Covid-19 são:

São Francisco do Sul

Casos positivos

3076

Casos recuperados

2950

Em tratamento

81

Mortes

45

Campo Alegre

Casos positivos

487

Casos recuperados

455

Em tratamento

16

Mortes

16

Araquari

Casos positivos

1401

Casos recuperados

906

Em tratamento

61

Mortes

20

Garuva

Casos positivos

827

Casos recuperados

806

Em tratamento

25

Mortes

13

Itapoá

Casos positivos

1023

Casos recuperados

993

Em recuperação

7

Mortes

23

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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