Conheça o menino autista que monta réplicas de prédios históricos de Garuva

Durante as pesquisas de seus projeto, Marco Aurélio Wisenfad revela que descobriu uma triste realidade do município aniversariante: “A maioria das construções não existem mais, foram demolidas”, constata.

Para celebrar a chegada do 57° aniversário de Garuva, o Folha Norte SC entrevistou um jovem morador que expressa seu amor pelo Paraíso das Águas de uma forma tão especial quanto sua própria vida. Diagnosticado com autismo, Marco Aurélio Wisenfad Pinto, 11 anos, dedica seu tempo livre para construir réplicas das construções mais famosas de Garuva.

Para erguer as maquetes, o pequeno construtor conta que inicia seu trabalho com uma breve pesquisa de fotos na internet. Neste momento, por ser fascinado pela história de Garuva, como característica hiperfocal de sua condição, Marco revela que descobriu uma triste realidade do município aniversariante: “A maioria das construções não existem mais, foram demolidas”, constata.

Réplicas de casas antigas de Garuva. Muitas delas, hoje, já foram demolidas. Foto: Acervo

Ao resgatar a forma das estruturas com as fotografias, Marco desenha as formas das estruturas externas em um papel, utilizando tinta guache, giz de cera e lápis de cor. Com ajuda da mãe, o próximo passo é montar com isopor e papelão as estruturas externas, grudadas com cola quente. Segundo o menino, o tempo de montagem de uma maquete é em torno de quatro dias. 

Como havia casas estilo enxaimel em Garuva, dentre elas, de seu avô, o menino enfatiza que, para elas, busca palitos de churrasco e de picolé para representar suas linhas entre os tijolinhos desenhados.

Foto original e réplica feita por Marco. Foto: Acervo

Viagens em busca de novas inspirações

Com o desenvolvimento de sua habilidade, ele passou a viajar com seus pais para cidades da região que ainda preservam seus prédios históricos. Uma cidade em especial chamou sua atenção: São Francisco do Sul, cidade mãe de Garuva. Em visita ao Centro Histórico do município, o que mais chamou sua atenção foram as estruturas do Hospital de Caridade de São Francisco do Sul, o qual decidiu construir uma maquete para vendê-la e ajudar em uma campanha de arrecadação para financiar o seu tombamento histórico. 

Foto: do Hospital de Caridade de São Francisco do Sul
Maquete do hospital feita por Marco. Foto: Acervo

Mesmo tendo nascido no Paraná, e morando há apenas quatro anos em Garuva, Marco afirma que seu amor pela cidade o levou também a ingressar numa verdadeira saga para achar a árvore que dá nome ao município. O presente veio da família Schmidt, a qual, ele retribuiu com uma réplica da casa da família. 

Para o futuro, o menino construtor de pequenos fragmentos da história de Garuva tem uma vontade: “Quero morar aqui por muito tempo ainda, e parabenizo a cidade pelos seus 57 anos.”

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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