Sem dinheiro para comprar aparelho auditivo, mãe garuvense vê filho surdo regredir nos estudos

Com o valor de 55 mil reais, a família não têm condições para comprar um aparelho novo

A música favorita de sua época; as conversas de madrugada com amigos, e até mesmo com o primeiro amor; o som das festas em uma vida ainda eufórica; o trânsito e a chuva; o sabiá de Natal. Quantas lembranças sonoras de nossa juventude vamos guardar para sempre em nossas memórias? Para Pablo Iangebartels, de 16 anos, isso não é mais possível, após seu aparelho auditivo passar da validade e estragar, tornando-o surdo novamente. Sua mãe, Patrícia Aparecida Pereira, 41 anos, moradora de Garuva, observa aos poucos o filho regredir nos estudos e em seu desenvolvimento motor.

Com o valor de 55 mil reais, a família não têm condições para comprar um novo, e aguarda em uma fila extensa de uma entidade de Joinville para recebê-lo gratuitamente; porém, Patrícia afirma que não está confiante sobre a possibilidade do filho ganhar o aparelho nos próximos meses.

De acordo com a mãe, Pablo teve complicações no parto que acarretaram em sua condição. Foto: Acervo

“Como ele estava no áudio já, escutando tudo, na escola ele ia super bem, aí ele começou a decair em tudo, ele está decaindo ainda”, conta a mãe sobre o filho que está há mais de um ano sem o aparelho. Segundo ela, Pablo aparenta muito desânimo, pois, com o aparelho, ouvia normalmente, mas, agora, está completamente surdo.

Depois que estragou, ele nem quis mais ir nas terapias

A fonoaudióloga Lívia Hermínia de Araújo e Silva Moura, que acompanhava o tratamento de Pablo, conta que observou uma regressão significativa no tratamento dele após o aparelho estragar. Segundo a profissional, o menino, quando estava usando o aparelho, estava indo bem nas terapias e na escola, mas, quando o objeto começou a falhar, notaram que Pablo tornou-se muito irritado e não participou mais da terapia.

“Ele estava super bem, acompanhava tudo que era pedido em terapia. Era mais sociável, engraçado, participativo. Depois que estragou, ele nem quis mais ir nas terapias”, revela sobre o menino.

A fonoaudióloga afirma que o aparelho é muito importante para o desenvolvimento social, emocional e intelectual de Pablo, e espera que ele consiga-o novamente, “pois sem o seu uso, ele fica muito irritado e tende a se isolar”, diz.

A regressão na escola

A professora especial de Pablo, Maria Cristina Soares, 36 anos, reafirma as falas de sua fonoaudióloga em relação à necessidade do aluno em conseguir o aparelho auditivo o mais breve possível. De acordo com a professora, com o aparelho, Pablo teve muitos avanços na vida escolar, como poder começar a falar com todos na sala de aula, a entender os professores melhor e compreender as matérias escolares.

Foto: Acervo

“Consequentemente, a falta do aparelho para o Pablo está fazendo com que ele pare no tempo, ou até mesmo regrida tanto na vida escolar como pessoal.  A falta do aparelho faz com que ele fique mais agitado, não queira fazer as atividades, porque não consegue entender e se comunicar claramente”, afirma.

Maria Cristina também ressalta que, devido a pandemia, e o distanciamento, a mãe de Pablo contou que ele não esta bem, e demonstra crises de dor de cabeça, além de desanimo. “O aparelho faz muita falta, e este distanciamento da vida escolar dele está contribuindo para que seu estado fique cada vez mais complicado”, enfatiza.

A mãe de Pablo optou por fazer uma arrecadação online, com a intenção de comprar o aparelho o mais breve possível. Para os leitores que quiserem colaborar, clique aqui.

Texto: Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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