Profissionais de Saúde da UBS do Rocio Grande fazem 14 BOs contra jornalista francisquense

“Fomos surpreendidos com o julgamento do apresentador, que nos ofendeu”, diz enfermeira coordenadora da instituição; jornalista se manifesta

Os profissionais de Saúde da Unidade de Saúde do Rocio Grande, em São Francisco do Sul se manifestaram após comentários do jornalista Maykon Hack, na página São Chico Online. Na manhã de ontem, a equipe composta por 14 membros, dentre eles enfermeiros, médicos, técnicos, dentistas e agentes, foram até a Delegacia do município e prestaram, individualmente, 14 Boletins de Ocorrência por injúria contra o jornalista.

Profissionais de saúde prestaram Boletins de Ocorrência na tarde de ontem. Foto: Divulgação

Durante uma live, o jornalista disse: “suas caras de pau, suas sem vergonha, suas cara de pau, falar que não aconteceu isso”, se referindo à resposta das profissionais de saúde. Segundo as enfermeiras, o profissional insultou a equipe da unidade após um mal entendido com uma paciente que, de acordo com a live, não conseguiu os remédios para seu tratamento, pois a unidade estava fechada.

Gravação: Divulgação

Em entrevista ao Folha Norte SC, a coordenadora da unidade, a enfermeira Kamille Karoene Negrão Possamai De Carlucci, informou que a unidade não estava fechada, mas sim, com a porta encostada poucos minutos após as 11h30m e ainda estavam com atendimentos internos em ocorrência.

A equipe foi procurada pela assessoria de impressa do município após uma moradora questionar às autoridades o suposto fechamento da unidade, além de um suposto maltrato das enfermeiras à mulher. Elas justificaram que de fato a porta não estava fechada.

“Para garantir que não haviam ocorridos atendimentos com grosseria e rispidez, todos os funcionários foram questionamos e responderam, que até o horário de encerrarmos as atividades do período da manhã, isso não aconteceu”, afirma Kamille, que repassou a informação à Prefeitura, na perspectiva de entrarem em contato com a moradora em questão para verificar quais as necessidades dela e em qual horário ela teria vindo na unidade.

Além disso, a enfermeira afirma que, ao saber do ocorrido pela Prefeitura, conseguiu o contato da moradora e entrou em contato via WhatsApp, onde a moradora questionou a equipe sobre o horário de trabalho e sobre a legalidade da imprensa de passar o seu contato. Kamille enfatiza que no mesmo dia repassaram as informações à moradora para ajudá-la, mas que ela não se manifestou quanto ao pedido de o quê poderiam fazer para atendê-la.

Equipe da Unidade de Saúde do Rocio Grande. Foto:Divulgação

“A noite, em um programa exibido ao vivo pela plataforma Facebook, fomos surpreendidos com o julgamento do apresentador, que nos ofendeu, não se atentou aos horários apresentados pela paciente e nem correlacionou com os horários de funcionamento das unidades de saúde. Foram apresentados no mesmo programa, outros fatos inverídicos que nos deixaram estarrecidos”, declara Kamille.

A enfermeira coordenadora conta que foi difícil trabalhar naquele pós dia depois da live, pois estavam revoltados com as ofensas. Para ela, a escolha de trabalhar com serviço público embora nem sempre, segundo ela, conseguem alcançar todas as expectativas dos pacientes, se esforçam ao máximo, e enquanto equipe, cobram melhorias individuais e coletivas uns dos outros. “Foi e é triste demais vivenciar esse momento, mas lutaremos pelos nossos direitos e pelo respeito que merecemos”, destaca.

O que diz o jornalista?

Segundo o jornalista Maykon Hack, uma moradora de São Francisco do Sul enviou em seu WhatsApp uma denúncia sobre transtornos que havia passado na Unidade de Saúde do Rocio Grande. Nos comentários, a moradora afirma que foi à unidade antes das 11h da manhã para buscar medicação, mas de acordo com ela, não tinha ninguém e, ao se aproximar de uma janela, ouviu as profissionais conversando no local.

Ainda de acordo com os comentários da moradora, ela teria ouvido alguém dentro da unidade cochichando para decidir quem iria atendê-la, à medida que ela ligava para o telefone do local. Em seguida, a moradora contou ao jornalista que gritou na janela onde estava para ser atendida e, em seguida, apareceu uma funcionária que, segundo ela, disse em voz alta para ela retornar a tarde, fechando a janela em seguida.

Com as falas da moradora, o jornalista conta que procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura de São Francisco do Sul para buscar explicações. De acordo com ele, a assessoria já havia entrado em contato com a coordenadora e que, de acordo com ela, houve uma conversa entre os profissionais sobre a veracidade do ocorrido e concluíram que isso não havia acontecido.

Ainda em entrevista ao Folha Norte SC, o jornalista francisquense buscou o contato via WhatsApp com o marido da coordenadora da unidade que, segundo ele, contou que os transtornos passados pela esposa é pelo fato dela não apoiar nenhum candidato à Prefeitura do município.

Ainda nas falas do jornalista, ele reitera que, de fato, os transtornos que está passando são devido ao período eleitoral, e que, ao saber dos Boletins de Ocorrência registrados pelos profissionais de saúde, irá procurar formas de se defender.

O que diz a Prefeitura de São Francisco do Sul?

No dia 29 de outubro, a Secretaria Municipal de Saúde de São Francisco do Sul emitiu uma nota esclarecendo o ocorrido. Segundo a nota, a Secretaria ressalta que os horários para tiragem nas Unidades de Saúde dos municípios são: Ervino, Miranda e Vila da Glória: das 8h às 12h e das 13h às 17h; Rocio Grande, Acaraí, Paulas, Rocio Pequeno, Iperoba, Sandra Regina, Forte, Majorca, Enseada – como Centro de Triagem: das 07h30 às 11h30 e das 13h às 17h.

Ainda de acordo com a nota, os servidores dos equipamentos possuem horário de almoço, onde não realizam atendimentos até o horário de retorno da parte da tarde. “É importante ressaltar o bom e adequado trabalho da equipe e o comprometimento com a população francisquense”, afirma a assessoria. Para a retirada de remédio, a assessoria também ressaltou que, como ocorrido no caso mencionado pelo jornalista, a farmácia central, localizada na Secretaria de Saúde, fica aberta das 8h às 14h, sem fechar para o almoço.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc


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