Moradora de São Francisco do Sul conta sobre sua luta no segundo tratamento contra o câncer de mama

“Não escolhi viver isso! Mas, já que vou viver, que seja da forma mais leve”, enfatiza.

A empresária Damiany Sandriny Lobo Rodrigues, 44 anos, está em sua segunda luta contra o câncer de mama. Ainda que possa parecer exaustivo passar por outro longo tratamento químio e radioterápico, além de intervenções cirúrgicas, a moradora do Centro de São Francisco do Sul exalta sua perseverança e o otimismo na busca pela segunda cura.

Damiany iniciando seu segundo tratamento contra o câncer de mama. Foto: Acervo

“Não escolhi viver isso! Mas, já que vou viver, que seja da forma mais leve”, enfatiza.

Damiany Sandriny Lobo Rodrigues, empresária

Em entrevista ao Folha Norte SC, Damiany ou Damy como é chamada pelos amigos, voltou ao passado, onde tinha apenas 27 anos quando descobriu o primeiro câncer de mama. A francisquense conta que, na época, sua mãe e sua tia estavam em tratamento de um câncer. A mãe, de ovário; a tia, de mama. Com a preocupação da doença ser hereditária, a ginecologista da jovem pediu um ultrassom de suas mamas e demais exames ginecológicos que seriam de rotina. “Foi então que descobri o câncer de mama muito pequeno”, lembra sobre o choque da notícia, em um período onde era mãe de uma criança.

Damy com sua mãe que curou-se de um segundo câncer. Foto: Acervo

Imediatamente, Damy fez uma cirurgia do quadrante da mama e iniciou o tratamento com quimioterapia que, segundo ela, foi muito leve e não teve muitos sintomas, como a queda do cabelo; em seguida a paciente fez a radioterapia. Ela conta que superou muito bem a esse tratamento, “pois na época eu ia até dirigindo para as químios e as rádios”. Finalizando o tratamento, a empresária continuou com a rotina de exames de prevenção.

Damy enfatiza o papel da mãe, que a orientava sobre a luta contra a doença com a experiência que havia adquirido, e a companhia do marido que, segundo ela, desde o primeiro dia esteve presente. “No primeiro tratamento eu conseguia ir para Joinville fazer as químios e exames, pois não tinha muitos efeitos, já nesse segundo, estou mais debilitada a esses efeitos e ele acaba me acompanhando em todas consultas, exames e químios . O apoio do esposo e a paciência nesse período é fundamental”, diz.

Damiany com o esposo e o filho. Foro: Acervo

Passaram-se 16 anos e, em junho desse ano, Damiany, com 44 anos, lembra que sentiu um desconforto na mama com um nódulo grande. Ela recorreu aos exames para ter uma conclusão exata do que era e recebeu seu segundo diagnóstico de câncer de mama. “Diferente do primeiro câncer, esse apareceu do nada com um volume muito rápido. Fiz a biópsia e veio um carcinoma triplo negativo – nome científico tumor – onde seu significado é genético e não hormonal”, ressalta.

Novamente, a francisquense revela que havia perdido o chão, pois não acreditava que, depois do tratamento que havia passado anos atrás, estava tendo uma reincidência na outra mama, com outro tumor. No segundo tratamento, a paciente conta que as reações foram mais severas. Com a químios vermelhas, acabou perdendo o cabelo já na segunda dose. No total, serão quatro químios vermelhas, 12 brancas e 30 sessões de radioterapia. Damy aguarda, agora, a cirurgia que irá retirar as duas mamas, no local serão implantados próteses de silicone.

Foto: Acervo

Ela afirma que a vontade de retirar as mamas surgiu ainda durante o primeiro tratamento, mas, segundo a empresária, o médico orientou a não fazer o procedimento, tanto devido a idade, quanto a vontade que ela poderia ter de engravidar novamente. “Mas não quis mais ter filhos, para não mexer com os hormônios e ter algo como uma reincidência. E isso acabou acontecendo mesmo sem ter engravidado novamente”, diz.

Foto: Acervo

De acordo com a francisquense, hoje, a cirurgia é mais conservadora e a paciente geralmente já saí do hospital com as próteses mamárias. Em seu caso, fará duas cirurgias: uma agora e outra depois de seis meses, pois a mama tem que ser preparada para colocar as próteses. “Então, ele – o médico – enxertará com gordura a primeira mama e depois fará a retirada para colocar o silicone”.

Prestes a realizar as cirurgias e finalizar uma nova longa jornada de tratamentos, Damy destaca sua fé católica, mesmo que ainda frequente pouco as missas, expressivamente, agora com a pandemia. Ela conta que faz as orações chamadas “poder da gratidão” e, mesmo que possa parecer ironia, faz questão de agradecer por tudo o que está passando. Para ela, perseverança é uma palavra chave sobre o tratamento, não só do câncer, mas de toda dificuldade ou problema que a pessoa tem que enfrentar.

“Enfrentar um câncer não é nada fácil, cuidar da minha mãe durante os dois tratamento também não foi fácil, e ter um outro câncer é inexplicável. Mas tenho um exemplo que é minha mãe, que me ensina a cada dia a ter paciência, para encarar um dia de cada vez”, revela.

Damy em tratamento. Foto: Acervo

Como forma de usar seu exemplo de luta para orientar outras mulheres, Damiany tornou-se voluntária da Rede Feminina de São Francisco do Sul, atuando como assistente social, sua área de formação. Segundo a voluntária, as duas curas de sua mãe também servem de exemplo, tanto para ela, quanto para as demais pacientes da entidade.

Foto: Acervo

Às tristezas que também chegam, Damiany dedica suas lágrimas e pergunta-se o porquê com ela, o porquê com sua mãe. Mas a moradora de São Francisco do Sul reafirma a força divida que, segundo ela, a diz: “não desiste, que você já venceu”. E é assim que estou encarando esse segundo câncer: com muita dificuldade perante a vaidade, mas com muita garra que tudo chegue logo ao fim.'”

Para as mulheres que, hoje, estão em tratamento contra o câncer, Damiany deixa uma mensagem:

“Temos que ter força e tratar o câncer como se trata outras doenças, não desistir jamais. No final, tudo fica bem”, finaliza.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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