Flores de papel crepom: os costumes dos Finados de antigamente

Levar vasinhos com flores de plástico e naturais, segundo a professora Valdete Daufemback, mestre em história, é uma prática recente, com menos de 40 anos

O costume de visitar os túmulos dos entes falecidos no dia 2 de novembro é, certamente, antigo. Remetendo-se à Idade Média, no século X, como forma de reforçar a conversão de práticas pagãs que celebravam o festival celta Samhain que cultuava o ocultismo durava três dias, e começava em 31 de outubro. Mas, levar vasinhos com flores de plástico e naturais , segundo a professora Valdete Daufemback, mestre em história, é uma prática recente, com menos de 40 anos.

Flores de papel crepom. Foto: Internet

Segundo a professora, antigamente, nas últimos dias de outubro, toda a família reunia-se em uma casa para iniciar a confecção de flores de papel crepom. Elas eram elaboradas detalhadamente com pétalas e folhas verdinhas, envoltas em arcos para simbolizar as coroas de flores. De acordo com a tradição, as cores variavam de acordo com o sexo e a idade do falecido.

“Para os adultos, uma mescla de cores, incluindo o branco; para as pessoas idosas, a cor roxa; às crianças, azul e branco aos meninos, e rosa e branco às meninas”, conta.

Essa prática, de acordo com a mestre em história, era muito comum em comunidades rurais; porém, quando as famílias se mudaram para as cidades, com poder aquisitivo, passaram a comprar flores, e as coroas de papel crepom cederam lugar para os vasos.

Confecção de flores feitas com crepom. Foto: Internet

“O problema do papel crepom era a chuva ou orvalho. A coroa era colocada no túmulo na hora da missa; assim, os vasos de flores do campo eram mais práticos e poderiam ficar mais tempo”, enfatiza.

Mas, devido a duas terríveis doenças, que passaram a lotar os cemitérios do Brasil, a tradição de levar vasos de flores molda-se novamente. Com a propagação da dengue e da malária, que proliferavam suas larvas nos vasinhos de flores contendo água, houve uma campanha do governo com decretos proibindo seu uso. “Assim, passaram para as flores de plástico”, diz.

As flores de papel crepom floram substituídas pelas naturais e de plástico após o êxodo rural brasileiro. Foto: Internet

A professora ainda lembra que, após as funerárias assumirem o monopólio dos funerais, os quais, eram organizados pela própria família, as empresas passaram a usar as flores para ornar todo o funeral, como o próprio caixão, com isso, “passaram a entender a praticidade das flores também no dia de finados fomentando a venda delas”, encerra.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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