Crônicas de Garuva: Verde Novo, reflexões sobre o 30 de junho

À noite, antes de dormir, bebo muito sono e acordo de ressaca. Calma, querido leitor, essa é a metáfora do meu despertar, daquele primeiro abrir dos olhos, quando se está com um pé no sonho e o outro na realidade. É uma tontura matinal não alcóolica, poética sim, eu diria. Sabe as primícias dos pensamentos de se estar semidesperto tipo: “Onde estou? Quem sou eu? Que dia é hoje? Que horas são?”. É disso que falo. Mas não é essa a resenha do texto.

Após acordar, tenho o hábito de caminhar até a janela do quarto. Desnudo-a, em parte, e é por uma fresta da cortina que vejo a Serra do Mar de Garuva. A Serra é um desses giganteus verde que abraça a cidade toda. É linda de ver. É cartão postal e destino de muitos aventureiros. Há quem se encante pelo seu aspecto místico e pelas histórias de que nela se escondem muitos tesouros.

O meu encantamento foi de primeira. Lembro-me de que na adolescência, nos encontros familiares na cidade praiana vizinha, eu pegava os binóculos de última geração que tínhamos e observava cada detalhezinho dessa mata verde imponente.

Meu amor por esse recorte poético só foi crescendo e após treze anos de fixa residência em Garuva, cercada por essa beleza, vi, pela primeira vez sua aparência ser transtornada. O semblante sorridente da serra entristeceu.

Há alguns meses, sua cor ganhou outro tom. Marrom. Sua base verde, coberta de árvores frondosas ficou com aspecto semimorto. Por muitos dias não se viu o frescor das folhas. E eu lembro de ter pensado: quando o verde novo vai brotar?

Não que se tenha perdido a beleza, não… Ela foi transformada numa tal que nenhum outro olho antes contemplara. Por conta do evento catastrófico, os olhares também foram tranformados – eram de assombro, espanto e comoção.

O dia 30 de junho trouxe alterações na paisagem e no olhar. Mas como tudo éestação, o inverno passou e a primavera chegou trazendo brotos – era a vida se refazendo. E o olhar, mais uma vez, foi ressignificado.

Verde novo é o que vejo hoje pela fresta da minha janela, mas vejo também o movimento de nova vida que todos os garuvenses estão experimentando. A jornada até aqui foi de muita luta, união e força e essa visão, dentre todas, sem nenhuma sombra de dúvida, é a mais bela!

Verde novo.
Ver de novo.
Novo olhar.
Novo lar.

Texto: Escritora Heloise Lemos

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