Conheça os relatos sobre a casa mais mal-assombrada de Garuva

Do espírito da mãe pedindo ajuda para fazer o filho parar de chorar ao famoso vulto que espreita da janela do sótão, as diversas histórias ainda estão presentes no imaginário popular garuvense

Há quem diga que ao passar pela frente da antiga casa de pedra da Avenida Celso Ramos, em Garuva, você poderá ver um vulto te observando próximo da janela do sótão. Muitos são os relatos e poucos são aqueles que tem coragem de observar fixamente, mas, imagine quem ainda tem a coragem de morar naquela que é considerada a casa mais mal-assombrada de Garuva?

A fama da tal casa rendeu uma página no livro “Perfil Cultural de Garuva”, com os relatos de Terezinha Mews, uma das moradoras da casa, que afirmou o ranger de seus degraus durante a noite e a presença do espírito de uma mãe embalando seu bebê, que pede ajuda aos moradores para fazê-lo parar de chorar.

Construída no início do século XX, a casa é uma das mais antigas de Garuva / Foto: Herison Schorr

Em uma entrevista feita no ano de 2012 com Sonia Pereira, a então nova moradora da casa e hoje já falecida, ela contou que em seus nove anos morando do local descobriu que são diversas as entidades que habitam os cômodos da casa.

Detalhes da casa de pedras / Foto: Herison Schorr

Para início de conversa, Sonia revelou que sempre sonhou em morar na tal casa, apesar da habitação antiga não ter uma fama agradável. “Quando surgiu a oportunidade de vir morar aqui, me senti realizando um sonho”, disse.

Porém, nos primeiros dias morando nela, constatou que as histórias fantasmagóricas que permeavam-na eram reais, “pois aconteciam e acontecem muitas coisas difíceis de serem explicadas, como alguns casos que vou relatar”, revelou.

 
Alguém está na janela

No primeiro ano morando na casa, Sonia contou que estava com suas duas filhas tomando café da manhã quando, de repente, acabou a luz e os aparelhos eletrodomésticos desligaram. De primeiro momento, acreditaram que era falta de luz na cidade, mas constataram que nas casas dos vizinhos tinha luz. “Fui verificar o que tinha acontecido e percebi que haviam cortado a luz”, contou.

Famosa janela do sótão da casa, de onde moradores relatam o avistamento de vultos / Foto: Herison Schorr

No mesmo momento, Sonia foi à sede da Celesc para saber o porquê do desligamento, pois as contas estavam todas em dia. Ao conversar com os funcionários, acabaram identificando um erro e mandaram o funcionário que havia feito o serviço religar a luz da residência. Quando o homem chegou na na casa de Sonia, a moradora foi tirar satisfação com ele, pois queria saber o motivo dele não ter falado com ela antes de contar a luz, “e ele me disse que a mulher que estava lá em cima viu e não falou nada. Achei estranho, pois estavam apenas eu e minhas duas filhas em casa, tomando café”, lembrou.

Sótão da casa / Foto: Herison Schorr


O menino

Ao visitar o interior da casa, a moradora revelou na entrevista que a presença do espírito de um menino era constante, principalmente, quando ela havia acabado de mudar-se para o local.

“Ele mexia nas minhas coisas, mudava tudo de lugar; teve uma vez que eu estava atrás de casa, lá na garagem, quando vi um menino na minha  cozinha. Achei que era um cliente, até gritei ‘já estou indo’, mas cheguei aqui e não tinha ninguém; já me acostumei com ele por aqui”.


A escada e a presença de seres de luz

Ouvir passos descendo e subindo os degraus da escada da casa não era novidade para Sonia, que admitiu: “Não tenho medo, convivemos aqui com isso, e isso já faz parte de mim”. Ela afirmou que, enquanto trabalhava, sentia alguém lhe olhando, mas ao tentar identificar os donos dos olhares não encontra ninguém. Na maioria das noites, dormia sozinha na casa e, apesar de todos esses acontecimentos, não sentia medo, “pois nunca me fizeram mal, esses seres só me transmitem sentimentos de paz e serenidade. Sou muito feliz”, destacou.

Escadaria da casa / Foto: Herison Schorr

As visitas da moradora também podiam experimentar a presença do sobrenatural em sua casa. Em uma delas, uma irmã de Sonia foi passar a noite no local. A moradora conta que precisou sair e deixou- a sozinha ainda dormindo. “Mais tarde, ela foi a meu encontro, e me perguntou porque eu não chamei ela, pois ela já estava acordada me escutando costurar, mas eu não estava costurando, nem em casa eu estava e as máquinas estavam desligadas”.

Outro momento peculiar foi quando estava com as amigas conversando na sala e observou um homem de camisa branca passar pela janela.  “Achei que era marido de minha amiga e avisei ela, quando fomos ver, não era ninguém. Sempre vejo uma pessoa entrando, passando pelas janelas, mas quando vou abrir a porta a pessoa desaparece”. Para Sonia, a visita desses seres em sua casa era, para ela, prazerosa, “pois sinto que são enviados por Deus, não tenho medo, ao contrário, sinto uma paz imensa”, contou.


A tia da sala de brinquedos

Ainda na entrevista, Sonia contou que seus netos também interagiam com uma entidade muito especial da casa, a qual, eles chamavam de ‘tia’ que os observava na sala de brinquedos.

“Um dia, para provar a existência da ‘tia’ ele pegou uma flor do vaso e entregou a essa misteriosa entidade, oferecendo a flor para ela que ele via de pé, encostada na parede”, destacou.


O anjo “Titão”

“Estávamos no quarto deitados, quando meu netinho disse que viu o ‘Titão’ novamente, ele sempre via esse ‘Titão’ pela casa, mas nunca entendia exatamente o que era”. Ao prestar mais atenção no que o neto queria dizer, Sonia identificou que ‘Titão’, na verdade, era ‘Tiozão’, ou seja, um homem grande, o qual, o menino insistia por sua presença.

Em uma sugestão para tirar a dúvida, Sonia pegou um álbum de fotografias de parentes falecidos para mostrar ao neto, na tentativa de identificar o espírito de algum familiar que estava na casa; porém o neto não reconheceu nenhum deles. “Mas quando fui guardar meu álbum, caiu uma foto de dentro dele, ele pegou a foto e apontou que aquele era o ‘Titão’ que ele via. Quando fui ver, era a foto de um anjo tocando harpa”, disse.  De acordo com a moradora, as crianças sempre gostaram de ficar em sua casa, por ela ter uma boa energia.

Fotografia retirada do jardim da casa / Foto: Herison Schorr

Nos últimos momentos de conversa da gostosa entrevista, a moradora reiterou que não há como fechar os olhos para esses fenômenos que acontecem, mas muitos, segundo ela, dizem que isso é mentira. “Mas ninguém é obrigado a acreditar, mas, que existe, isso existe, e só vendo e sentindo para ver que é verdade”, enfatizou a moradora que havia perdido as contas de quantas vezes observou as pessoas atravessando a rua para não passar em frente da casa dela ou com olhares estranhos para o lar enigmático.

“O que me resta é simplesmente rir”, encerrou bem humorada.

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Texto: Herison Schorr

Jornalista Formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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