Com Alzheimer, moradora de Garuva vê casa e memórias ruírem; saiba como ajudar

Brigitte Bittencourt, 57 anos, conta com ainda algumas lembranças que tem, do amor que sentiu pelo Monte Crista ao visitar o local pela primeira vez; porém, aquele que seria seu sonho de paraíso particular tornou-se um pesadelo após a passagem do ciclone bomba

“É como um incentivo”, sugere de forma tímida e de poucas palavras a senhora ao observar os ninhos dos tecelões pendurados em uma das finitas árvores que rodeia seu pequeno casebre, quem sabe, mais resistentes que sua residência amadeirada sustentada por alicerces de pets, prestes a ruir.

Ninhos de tecelão em frente à casa são, segundo Brigitte Bittencourt, um incentivo para reconstruir seu lar. Foto: Herison Schorr


Nascida em São Paulo, Brigitte Bittencourt, 57 anos, conta com ainda algumas lembranças que tem, devido ao diagnóstico de Alzheimer, do amor que sentiu pelo Monte Crista ao visitar o local pela primeira vez. Vivenciando a espiritualidade, apostou na montanha para trabalhar com reiki. “E fugir do concreto cinza da cidade grande”, conta ao olhar pela janela onde só se vê tonalidades de verde e as poucas casas da vizinhança.

Brigitte Bittencourt. Foto: Herison Shorr


Porém, aquele que seria seu sonho de paraíso particular tornou-se, aos poucos, um triste pesadelo que mostrou à ela e a tantos garuvenses a realidade da força da natureza, no dia 30 de junho, quando a cidade foi devastada pelo ciclone bomba. Com a força dos ventos, o telhado foi arrancado e a estrutura da casa partiu ao meio, afundando-se sob seus pés a cada semana desde aquele dia. Brigitte revela que não lembra do dia, mas também não fez muito esforço para rememorar, desviando os olhos, como se quisesse fugir de um susto ainda presente.

Desorientada, percebe-se que há pouca atenção no que poderá acontecer com sua frágil casa, à medida que anda por seu interior observando as rachaduras que crescem. Acompanhada por seus gatos, como únicas companhias que compartilham o lar de três cômodos, Brigitte conta com o apoio, mesmo com dificuldades de memorar a si mesma, de quem lembra dela com ternura e gratidão, agraciadas por amigos que um dia ajudou, sem pedir nada como retribuição.

Interior da casa de Brigitte Bittencourt. Foto: Herison Schorr

Hoje eles fazem o papel da família que ainda mora em São Paulo e acalentam a sua solidão com visitas, e suas necessidades emergências com apoio financeiro.

Casa de Brigitte Bittencourt. Foto: Herison Schorr

Assim como o trabalho incansável dos pássaros, que montam seus ninhos em frente a sua casa, o incentivo de reestruturar seu pequeno lar está em uma vaquinha online feita pelas mãos da gratidão. E aos leitores que quiserem colaborar com a campanha, clique aqui.

Texto: Herison Schorr

Jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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