Geólogo alerta sobre degradação das trilhas no Monte Crista, em Garuva

Processo expõe as raízes das árvores laterais, fragilizando sua fixação ao solo, além de contribuir para o assoreamento dos rios

As trilhas que levam os turistas até o cume do Monte Crista não são mais as mesmas, em comparação ao que eram nos séculos anteriores quando foram utilizadas como caminho, primeiramente, dos povos nativos e, posteriormente, de tropeiros e demais viajantes que percorriam no único caminho que ligava Joinville a Curitiba.

Processo de erosão chega a 1,80 em comparação com a trilha original. Foto/Divulgação

Hoje, com o intenso fluxo de visitantes, o local sofre erosão no solo, somado com a alta pluviosidade que há nas encostas da Serra do Mar. Este processo expõe as raízes das árvores laterais, fragilizando sua fixação ao solo, além de contribuir para o assoreamento dos rios, com o sedimento que é carregado para os cursos de água, como conta o geólogo e montanhista Reginaldo Carvalho, 42 anos, que percorre o local desde a década de 80.

Erosão das trilhas expõe as raízes das árvores. Foto/Divulgação

Para o geólogo, a falta de conscientização dos turistas que visitam o local causa esta interferência negativa da relação entre o homem e a natureza.

“Se formos analisar na ótica do tempo geológico, um dia, daqui milhões de anos, o Crista será todo erodido, como já tem sido durante sua evolução geológica. As rochas que formam a montanha – de granito – foram formados a quilômetros de profundidade e, hoje, encontram-se aflorando na superfície, são testemunhas que comprovam o poder dos processos erosivos que são implacáveis”, diz.

Reginaldo Carvalho, geólogo

Além da questão ambiental, com a degradação da vegetação e, desta forma, dos recursos hídricos, Reginaldo destaca outra perda: a destruição de um patrimônio histórico-cultural.

Em alguns locais da montanha, as históricas escadarias já foram degradadas com a ação humana. Foto/Divulgação

Com o objetivo de reverter esta situação, o montanhista, que é membro da Associação Joinvilense de Montanhismo (AJM) trabalha desde 2003 com uma série de intervenções, como a construção de contenções e drenagens, ainda que em caráter de minimizar os impactos, devido a grande demanda. “Orientamos também as pessoas a não irem para as montanhas em grandes grupos, em períodos de chuva, pois acentua os processos erosivos”, ressalta.

Jornalista Herison Schorr, formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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