Crítica: Dois Papas (Netflix, 2019)

Dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles, Dois Papas trata sobre redenção e busca por paz espiritual. Apesar do nome, o filme não conta a história de dois Papas de maneira igual. A obra é dedicada, em grande parte, na ascensão de Jorge Mario Bergoglio ao papado. Bento está na história como um mentor, um antagonista, mas não divide o protagonismo com Francisco. Por isso, chamar o filme de Dois Papas passa uma impressão pouco equivocada, mas revela muito do sentido qual os produtores desejam transmitir.


O cineasta brasileiro Fernando Meirelles e o roteirista Anthony McCarten parecem interessados em criar uma obra de redenção, não um filme de perdão, mas de esperança. O roteiro cria então um conflito, um antagonismo entre os dois Papas. Interpretado por Anthony Hopinks, Bento seria alguém conservador, um intelectual, dedicado aos estudos e seguidor das tradições. Enquanto Francisco seria alguém mais flexível, aberto a compreensão das mudanças do tempo, buscando um novo diálogo.
Eles aparentam estar em lados oposto, um ser “progressista” e outro “conservador”, mas estão juntos na busca pela paz espiritual. Os dois personagens acreditam não serem dignos dos desígnios de Deus, nem das tarefas coloca por Ele. Estão arrependidos dos erros e buscam uma forma de encontrar a melhor saída para a igreja.


Também explica o porquê mostrar os escândalos de pedofilia e a corrupção no Vaticano de forma passageira. Não é um filme sobre as disputas internas da igreja, nem sobre os bastidores do poder no Vaticano, mas sobre redenção. Isso define os planos, as locações e todo o lugar onde se passa a história e quem são os personagens coadjuvantes.
Esse retrato intimista mostra a política movida pelos sentimentos, não por pressão ou luta entre grupos. Vemos isso, principalmente, quando Bento revela querer renunciar. Ele não trata sobre os problemas políticos, mas sobre a ausência da voz de Deus. É mais nítido sobre como o filme mostra a religião conduzindo as decisões do Vaticano, quando mostra o passado do cardeal Argentino e toda sua trajetória.


Aqui a humanidade de Jorge Mario Bergoglio, em ser pecador, em não ter defendido seus padres contra a ditadura Argentina que matou mais de 30 mil pessoas, em ter ficado em silêncio, mostra a religião com mais força. Afinal, quem acredita em um mundo pós morte, quem acredita na remissão dos pecados e no sacrifício de Jesus, acredita na possibilidade de perdão, não?


Independentemente do que digam os membros da igreja, o filme é uma propaganda positiva, podendo ser utilizada nos grupos de reflexão da igreja. Apenas os mais conservadores acharão a obra ofensiva. Meirelles e McCarten compuseram um filme sobre a redenção espiritual e a busca pela voz de Deus.

O filme concorre ao Oscar de melhor ator com Jonathan Pryce e melhor roteiro adaptado com Anthony McCarten.

João Diego é jornalista formado no Bom Jesus Ielusc, em Joinville. Especialista em cinema pela Universidade Tuiuti do Paraná e escreve sobre cinema há três anos No blog Clube de Cinema Outubro

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