Dedicação: Professora de São Francisco do Sul grava 300 videoaulas em um único dia para apresentar trabalho perfeito

No Dia dos Professores, o Folha Norte SC conta a história de quem, por amor à profissão, reinventou uma nova forma de ensinar

A devoção de um professor pela educação pode ser expressada de diversas formas: uma madrugada inteira corrigindo provas nos finais de semana; uma grana que, ainda que não ganhe o ideal, sai “às escondidas” para o aluno que não tem livros, ou até mesmo o que vestir, o que comer – aquele lanche pago para ele na cantina, lembra? -; um choro no canto da sala de aula vazia ao sentir-se incapaz de resolver os problemas dos filhos dos outros, que tornam-se seus também. Em homenagem ao Dia dos Professores, o Folha Norte SC honra-se em contar a história de quem, por amor à profissão, reinventou uma nova forma de ensinar.

Andrelize Cristina da Costa Rocha, professora de Educação Especial no CMEI Pequeno Polegar no Paulas. Gravação/Acervo

Em São Francisco do Sul, assim como tantas professoras e professores que, hoje, se reinventam aos trancos, cliques e barracos para redescobrir uma nova forma de ensinar, encontramos Andrelize Cristina da Costa Rocha, ou “prof Andry”, como é conhecida pelos alunos, moradora do Centro Histórico e professora de Educação Especial no CMEI Pequeno Polegar no Paulas, em São Francisco do Sul.

A professora levou 12 horas para fazer um vídeo de apenas quatro minutos e meio. Gravação/Acervo

Gravar 300 vídeos em um único dia, em plena segunda-feira, pode parecer insano, desnecessário, mas, para ela, o motivo é nobre: entregar uma videoaula mais perfeita possível, para ser compreendida pelos alunos, principalmente, pelos de educação especial. A gratificação de tanto esforço está na evolução intelectual deles, que, mesmo do outro lado da telinha, aprenderam a aprender com esse novo método de ensino. Para a professora, um dos destaques é seu aluno com Síndrome de Down.

“Notamos muita evolução na aprendizagem dele, mesmo com as aulas online. A mãe do meu aluno é meus braços, pernas, olhos e ouvidos. Sem ela, não consigo aplicar minha aula”, afirma a professora.

Andrelize Cristina da Costa Rocha, 44 anos, professora de Educação Especial no CMEI Pequeno Polegar no Paulas,
Professora divulgando as atividades para a semana do meio ambiente. Gravação/Acervo

A professora, que também leciona para outros alunos do CMEI, conta que, em uma das vezes, ficou desde às 8h da manhã até as 22h da noite gravando os vídeos, em um esforço de identificar erros e corrigi-los. Em meio a dedicação, ela revela que já pensou em desistir, devido ao pouco retorno que tem dos demais pais e alunos. “Mas, quando eles respondem, meu coração se enche de alegria e me animo novamente”, afirma.

Do outro lado da telinha

Leila Gregório, 31 anos, comerciante e moradora do Rocio Grande, é mãe do Vicente Gregório Rosa, 4 anos, um dos alunos da prof Andry. Ela afirma que tem total consciência de que, com a pandemia, todos os professores tiveram que se reinventar.

Vicente acompanhando as atividades da prof Andry. Foto/Acervo

“Eu como filha de professora sei bem tudo que esses heróis da educação têm passado diariamente, não tem sido fácil”, afirma Leila que agradece a dedicação da professora Andry e dos demais educadores de seu filho.

Leila Gregório, 31 anos, comerciante.

A mãe destaca que, com a perfeição dos vídeos que são enviados pela professora, que estuda incansavelmente técnicas para chamar a atenção dos alunos para ensiná-los, o aprendizado, mesmo que distante das salas de aula, torna-se uma realidade. “Graças a Deus podemos contar com profissionais excelentes, um deles, podemos citar a prof Andry que junto com seus colegas, desde o início da pandemia, têm trabalhado muito para poder ensinar através de vídeos e trabalhos virtuais com atividades para atraí-los, digo atraí-los porque não é fácil. Meu filho está no Jardim, e ele se distrai muito fácil, mas elas conseguem atraí-los de forma que consigam realizar atividades, e aprendem de forma lúdica e descontraída”, diz.

Leila com o filho Vicente. Foto/Acervo

Mesmo com as aulas à distância, a mãe ressalta a falta que o filho sente pela prof dele, demonstrando para a Leila que ele é tão amado dentro de casa, como na sala de aula. “Somos gratos pela atenção que é dada e por não nos deixarem de lado nesse momento tão difícil, e logo nessa fase de desenvolvimento do aluno. Que tudo passe logo, e que ela continue sendo essa pessoa maravilhosa e atenciosa!”, enfatiza.

Para a prof Andry, Vicente deixa uma mensagem:

Gravação/Acervo

Texto/Herison Schorr

Jornalista Formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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