Produtor de Garuva corre contra o tempo para salvar última safra de banana

André Marcos Vieira, 50 anos, teve sua plantação destruída pelo ciclone bomba no mês passado

Uma grande enchente nos anos 80 foi a primeira lembrança que veio às memórias de André Marcos Vieira, 50 anos, produtor rural da localidade São João Abaixo, em Garuva. Na época, o rio que dá nome à região inundou a plantação de banana de seu pai. Marcos era apenas um menino e, ao herdar o trabalho do provedor, encontrou na segunda década do século 21 seu próprio desafio gerado por um desastre natural.

Agricultor recolhe os últimos cachos de banana de sua plantação destruída por ciclone bomba.
Gravação/Herison Schorr

Ao voltar naquela terça-feira, Marcos conta que estava com sua filha e esposa trabalhando em uma parte da lavoura, em cima de uma montanha. No horizonte, vinha a tempestade que os pegou de surpresa. Com o trator, voltou às pressas para casa, desviando das árvores que caiam pelo caminho. A família abrigou-se na antiga casa dos pais do agricultor.

Família ainda conta os prejuízos causados pelo vendaval.
Foto/Herison Schorr

No dia seguinte, as portas se abriram para um novo cenário. Do que eram lavouras prósperas de banana, as quais deram a chance para Marcos comprar um tão necessário trator, tornaram-se a realidade de uma vida mudada para sempre, sem perspectivas de recuperação e, agora, com as dívidas, como a do referido trator que o agricultor não terá renda para pagar.

Marcos conta que foi a primeira vez que viu uma destruição como essa em Garuva. Foto/Herison Schorr

“Vai levar dois anos pra voltar como estava”, revela Marcos que faz parte das cerca de 40 famílias rurais prejudicadas pelo ciclone bomba, segundo dados da Secretaria de Estratégias Rurais do município. O agricultor estima que de seus 85 morgos, entre 70% e 80% foram destruídos pela ventania do início do mês.

Após a tempestade, Marcos permaneceu por três dias arrumando o telhado de sua residência, o qual foi danificado com o vento e precisará de uma reforma completa para o lar tornar-se, novamente, seguro.

Segundo Marcos, para recuperar a plantação, deverá investir 24 mil em adubo. Para uma boa safra anual, o ideal são três adubações.
Foto/Herison Schorr

Ao seu redor, os dois galpões onde guarda os cachos de banana também tiveram suas telhas arrancadas, que, após o temporal, foram doadas pela prefeitura. Mas, segundo Marcos, com a falta de recursos, terá dificuldades para iniciar as reformas. “Ganhei as telhas, mas não tenho como arrecadar fundos para colocar elas em cima”, diz.

Galpões foram destruídos pelo vento. Foto/Herison Schorr

Andando em seu bananal, o agricultor destaca o cancelamento da Festa do Colono de Garuva, que foi cancelada devido a pandemia, também, de certa forma, agravou a situação dos produtores rurais do município, pelo evento ser uma oportunidade de exposição de seus produtos e da possibilidade de conseguir novos compradores.

Mesmo tratando-se de uma leucemia, Marcos corre contra o tempo para salvar os últimos cachos para revendê-los, antes que estragem de vez. Em uma renda, que era acrescentada com vendas semanais da fruta, o agricultor não possui seguro, nem reservas, nem a possibilidade de empréstimos. Ele ainda pensa o que fará para manter a família. “Nós precisávamos de uma linha de crédito emergencial com juros baixos, pelo menos”.

Epagri sinaliza apoio

Por meio do Menos Juros Recupera SC, a Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural (SAR) vai subsidiar até 4% dos juros anuais em financiamentos captados via Plano Safra, para agricultores que tenha sofrido prejuízos com o vendaval. “Dentro do Plano Safra, existem vários linhas de crédito, como a do Pronaf, por exemplo, que tem juros de 2,75% e 4% ao ano. Assim, se a captação do financiamento for via Pronaf, o agricultor não vai pagar juros”, esclarece Hoilson Fogolari, coordenador do Programa Políticas Públicas da Epagri.

Ciclone bomba devastou 90% dos bananais de Garuva.
Foto/Herison Schorr

O programa Menos Juros Recupera SC subsidia juros por um período de até oitos anos. A SAR disponibilizou para o programa recursos para a subvenção dos juros que poderão alavancar R$ 20 milhões em investimentos no setor agrícola. O limite de crédito por unidade de produção familiar e de R$ 40 mil. Para acessar o crédito, o agricultor vai precisar de um projeto desenvolvido pelos técnicos da Epagri, por isso a necessidade de procurar um escritório da instituição o quanto antes.

Herison Schorr
Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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