Covid-19 já infectou 20 crianças em Araquari, Garuva e São Francisco do Sul

Em entrevista ao Folha Norte SC, infectologista pediátrica esclareceu dúvidas sobre a contaminação do público infantil pela síndrome gripal

Até o fechamento desta reportagem, 20 crianças foram infectadas pela Covid-19 na região: Três em Garuva, cinco em Araquari e 12 em São Francisco do Sul. O número de contaminação entre adolescentes é ainda maior: 39 em São Francisco do Sul, 13 Araquari e cinco em Garuva.

A paciente mais nova é uma menina de apenas 2 anos, moradora do bairro Água Branca, em São Francisco do Sul. Segundo as assessorias de comunicação dos municípios, nenhuma criança apresentou sintomas graves da doença.

Número de crianças infectadas na região cresce diariamente.
Foto: Fernando Roberto Rodrigues

Renata Araujo Alves, 34 anos, é médica especialista em infectologia pediátrica e atua no Hospital Dona Helena, em Joinville. Em entrevista ao Folha Norte SC, passou informações importantes sobre a temática da infecção do novo coronavírus em crianças. Confira:

Renata é médica especialista em infectologia pediátrica.
Foto/Divulgação

[Folha Norte SC] Por que crianças menores de dois anos não podem usar máscaras?

Renata: As máscaras de pano não devem ser usadas em crianças menores de 2 anos, ou em pessoa de qualquer idade que apresente dificuldade respiratória, está inconsciente, incapacitado ou é incapaz de remover a máscara sem assistência pelo risco de sufocamento.

Como é a manifestação da Covid-19 em crianças e adolescentes?

A maioria das crianças apresenta um quadro leve da doença, não necessitando de internação e o motivo disso não é ainda totalmente esclarecido, mas acredita-se que seja porque elas apresentam menos receptores para o coronavírus em suas células.

O quadro clínico respiratório é semelhantes ao adulto, com febre, mal-estar, dor no corpo, prostração, dor de cabeça, dor de garganta, tosse e coriza. Algumas crianças, principalmente as menores, podem ficar mais irritadas, aceitando menos a alimentação habitual, e também podem apresentar diarreia.

O sinal de alerta e necessidade de consulta médica é o cansaço respiratório, que é observado pelos pais como a respiração mais rápida ou com esforço. Os quadros respiratórios geralmente melhoram em torno de 10 dias, mas o paciente deve permanecer isolado por 14 dias para evitar contaminar outras pessoas.

Vem sendo associado ao coronavirus em crianças, um quadro mais grave, semelhante à Síndrome de Kawasaki. Esta síndrome se caracteriza por febre prolongada – geralmente mais de cinco dias -; gânglios aumentados de tamanho; manchas vermelhas no corpo; conjuntivite sem pus; lesões orais e língua vermelha e edema de mãos e pés. Nestes casos a avaliação médica é indispensável.


Como cuidar de uma criança com Covid-19 que não pode usar máscara?

Evitando contato com outras pessoas e mantendo isolamento dentro de casa na medida do possível, permanecendo em um espaço limitado da casa, com número restrito de cuidadores. Manter distanciamento principalmente de pessoas com fatores de risco, como idosos e ou portadores de outras doenças.

Avaliar a possibilidade de pessoas do grupo de risco que moram na mesma casa permanecerem aos cuidados de outros familiares; não sendo possível, idealmente manter-se também isolado em outro cômodo. Lembrar de manter limpeza rigorosa dos objetos utilizados pelo doente, principalmente se tocados diariamente como mesas, maçanetas, interruptores, controles, celulares e brinquedos. Atentar para os sinais de alerta e necessidade de avaliação médica.


Quais as recomendações aos pais para higienização antes de terem contato com os filhos ao chegarem em casa?

O ideal é higienizar as solas dos sapatos antes de entrar em casa, com água e sabão ou àlcool 70%, ou utilizar tapetes ou panos umedecidos com solução desinfetante – como diluição de àgua sanitária em àgua -, ou retirar os sapatos antes de entrar em casa.

Ter cuidado ao utilizar panos umedecidos em casas com crianças pequenas e animais de estimação pelo risco de ingestão. É importante também retirar as roupas utilizadas na rua e lavá-las como feito habitualmente em casa. Se possível, tomar banho antes do contato com as crianças. A lavagem das mãos é indispensável.


É correto afirmar que a doença é levada para dentro de casa pelos pais?

A doença é levada por qualquer pessoa que tenha contato com outra pessoa contaminada. Se a criança não sai de casa, e alguém da família está tendo contato com outras pessoas, provavelmente o adulto que levou o vírus para casa; mas se tanto os pais quanto a criança saem de casa, qualquer um pode ter tido o contato inicial com o microrganismo.

Para evitar que isso aconteça, todos devem manter as recomendações atuais: distanciamento social, higiene de mãos com água e sabão ou àlcool gel – necessário supervisionar as crianças durante o uso de álcool – e uso de máscaras – para quem pode usar -.


Sobre a questão de um possível retorno das aulas, como isso contribuiria para elevar os casos da síndrome gripal na sociedade?

Pode haver aumento de casos se medidas de distanciamento não forem realizadas. O ideal é manter aulas e trabalhos virtuais sempre que possíveis; quando houver necessidade de serem presenciais, devem ser divididos em turmas pequenas, com a menor quantidade de professores possível, os alunos não devem ter contato próximo com alunos de outras turmas, devem permanecer a, pelo menos, um metro e meio de distância entre eles e não devem compartilhar objetos.

Tanto funcionários quanto alunos devem ser incentivados a permanecerem em casa se apresentarem sintomas, testarem positivo para a doença ou tiverem contato próximo com caso confirmado. As crianças sem contraindicação, devem utilizar máscara. Incentivar a higiene de mãos.

Herison Schorr
Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc


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