Agentes de saúde de Garuva fazem manifestação após comentários difamatórios nas redes sociais

Profissionais foram acusados de espalharem o vírus da Covid-19 no município

Agentes comunitários de saúde de Garuva fizeram uma manifestação pacífica nesta sexta-feira (31), em frente à Prefeitura do município após sofrerem com comentários difamatórios nas redes sociais. Segundo os cometários, os agentes estariam propagando o vírus da Covid-19 durante visitas aos moradores, além de, segundo os boatos, não realizarem as visitas com frequência.

Profissionais manifestaram-se em frente à Prefeitura para reivindicar respeito à categoria
Foto/Divulgação

Segundo o agente comunitário de saúde Danilo Aparecido de Jesus Franco, os ataques começaram no início da pandemia, quando alguns moradores comentaram que, mesmo com o decreto de isolamento, os agentes de saúde ainda faziam visitas de rotina e, desta forma, estariam espalhando o novo coronavírus. Para Danilo, nesta semana, após uma publicação da Prefeitura de Garuva, os comentários com informações falsas se intensificaram.

Agentes comunitários de saúde sofrem com boatos nas redes sociais.
Foto/Divulgação

“Nós temos restrições, não entramos nos domicílios; chegamos até a porta da pessoa, mantemos a distância, usamos máscaras; temos todos os cuidados, mas, mesmo assim, as pessoas começaram a criticar, a nos atingir”, afirma.

De acordo com Danilo, as pessoas precisam entender que o agente de saúde também é um cidadão, que também corre o risco de se infectar. Ele destaca uma situação da contaminação de uma das profissionais que, após o diagnóstico, ficou em quarentena até a recuperação para retornar ao trabalho, mas, mesmo assim, ainda sofre com a discriminação.

Familiares de profissionais de saúde sofrem discriminação em Garuva

Rose Quadros, 39 anos, é técnica de radiologia em Joinville e agente de saúde em Garuva, onde reside. A profissional conta que no início da divulgação dos primeiros infectados pela Covid-19 no município houve uma especulação de que ela estaria entre os números de contaminados e que, durante a propagação do boato, sua família sofreu represálias de alguns moradores.

Rose e sua família foram discriminados após a propagação de um boato.
Foto/Divulgação

“Pararam meu marido na rua, ficaram mandando no grupo do meu filho, que era eu que estava com covid, depois mandaram no grupo do ballet da minha filha, que é a mãe dela”, conta Rose que teve que se posicionar para inibir a propagação do boato. “Falei que ela era uma criança, que não tinha nada que botar no grupo, que não era eu e, independente de que se fosse, não eram coisas para estar falando”, reitera.

Para Rose, as pessoas que estão propagando estes comentários não sabem sobre a situação que os profissionais passam no trabalho e, por isso, espalham informações falsas que humilham a categoria. “A gente quer ajudar as pessoas, mas tem pessoas que não querem ser ajudadas e outras que gostam de falar e não sabem que ajudamos idosos, que cuidamos de gestantes, das crianças… E eles não conseguem ver isso”, diz.

Sobre a acusação de que os agentes de saúde não estão realizando as visitas, Rose explica que, como trabalham em horário comercial, algumas pessoas não são encontradas em casa, mas, em qualquer dúvida, podem procurar o posto de saúde do bairro.

Herison Schorr
Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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