Sérgio – Crítica – (Netflix, 2020)

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Filme busca mostrar o quão importante foi o diplomata Sérgio Vieira de Mello, morto por defender seus ideais, mas desconhecido pelo público em geral

O diplomata Sérgio Vieira de Mello (1948-2003) era cotado como sucessor natural de Kofi Annan para a Secretaria-Geral das Nações Unidas. Sérgio, como era chamado por todos, inclusive pelo presidente Bush, nasceu no Rio de Janeiro, mas foi estudar em Paris, na Sorbonne. De lá saiu doutor em Filosofia, letras e ciências humanas. Entrou para ONU aos 21 anos e construiu toda a sua carreira no órgão, chegando ao cargo de alto-comissário para os Direitos Humanos. Foi morto em 2003, em um atentado a bomba no Iraque, reivindicado pela Al-Qaeda.

Greg Barker é o diretor do longa-metragem e quem também produziu um documentário sobre o diplomata. Barker é um documentarista com uma vasta experiência, produziu documentários sobre terrorismo, conflitos no afeganistão, sobre política internacional do governo Obama. Sérgio é sua estreia na ficção.

A trajetória

O filme busca mostrar o quão importante foi o diplomata Sérgio Vieira de Mello, morto por defender seus ideais, mas desconhecido pelo público em geral, inclusive do brasileiro. Esse desconhecimento, talvez, explique a forma narrativa da obra ser  baseada em flashbacks. O diplomata trabalhou em diferentes programas da organização em Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique e Peru. No Timor leste foi responsável pelo governo de transição. Logo, fica difícil contar a história do personagem de maneira linear e também escolher em qual momento dar mais ênfase. 

A forma escolhida foi justamente começar por onde ela acaba, o atentado de 2003 e o discurso institucional para a ONU. Com essa imagem cria-se um impacto no espectador, desperta a curiosidade para saber como ele foi parar debaixo dos escombros, ao mesmo tempo cria simpatia pelo personagem. Essa intenção inicial parece contradizer o restante da obra, primeiro em mostrar o porte atlético e ressaltar as qualidades físicas do personagem. O encontro com o guerrilheiro no meio da mata é um exemplo disso. Afinal, um diplomata ou um agente secreto?

Mesmo com o grande desempenho de Wagner Moura, de toda a simpatia que sentimos pelo ator, falta diálogo, não apenas falas, mas discurso e embates de ideias.  A simples presença de Sérgio em cada lugar e as poucas palavras parecem resolver tudo, não existe um conflito do personagem, nem uma jornada. O diplomata passa de um país para o outro e resolve tudo de maneira simples. 

Sérgio

Essa forma apressada de exibir os feitos do diplomata tentam passar uma síntese  da sua trajetória, nas missões mais importantes de sua carreira. É uma história sobre como Sérgio quase chegou a ser secretário geral da ONU. Sobre como ele desempenhava um importante papel ao exercer a diplomacia nos conflitos de diversos países. Tenta mostrar a importância da paz e da conciliação. É uma obra sobre os valores quais a ONU diz representar e sobre o papel que ela diz exercer. 

Tudo é mostrado em um tom melancólico, mas meio fora de eixo. Sabemos do destino do personagem, então fica excessivo as cenas debaixo dos escombros, queremos vê-lo em ação. Melhor que a citação da participação nas manifestações de maio de 68, teria sido melhor mostrá-lo, assim como sua relação com os líder guerrilheiro. Ao contrário disso, o filme foca no relacionamento dele com  Carolina Larriera, interpretada por Ana de Armas.

Ao fim, temos um grande desempenho dos atores, uma história interessante e uma oportunidade desperdiçada. 

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