Artesã francisquense confecciona tecido valioso feito com fibra de bananeira

Com valores que chegam a R$ 100 o metro, material é utilizado na produção de bolsas, joias e sapatos veganos

“Bananeira que já deu cacho” é um ditado popular bem conhecido pelos brasileiros para designar algo que não tem mais serventia; porém, este termo perde todo o sentido nas mãos da artesã Ana Claudia da Silva, 45 anos, moradora do bairro Paulas, em São Francisco do Sul.

Chamado de AnnaBanana, o empreendimento da artesão vende tecido ecológico para fábricas de sapatos veganos. Foto: Divulgação

Com um trabalho minucioso, a francisquense transforma, há cerca de 15 anos, fibras das bananeiras descartadas pelos agricultores em um tecido resistente que é vendido a R$ 100 o metro e utilizado para fabricar joias, bolsas e até mesmo sapatos. Para dar ainda mais valor às peças, a artesã revela que todo o trabalho é feito de forma sustentável, utilizando apenas bananeiras que já produziram cachos para confeccionar o pano biodegradável. Por esta iniciativa, conquista clientes em todo o Brasil, ocupando um espaço que está em ascensão na economia mundial: os produtos na linha da sustentabilidade. “Vendo os tecidos produzidos aqui para calçadistas veganos, que trabalham com a linha de calçados de produtos vegetais”, destaca. 

Ana em coleta da matéria-prima, num bananal de Araquari.
Foto: Divulgação

O processo de criação do tecido, segundo a artesã, começa com a extração das fibras do caule, desmontando-o em fatias. Neste processo, são retiradas diferentes camadas da bananeira, como a “seda”, miolo do caule que é utilizada para fazer decoupage – técnica francesa de artesanato que consiste em colar tecido e papel em superfícies, como caixas de MDF -; a renda, segunda camada interna, utilizada para fazer tecelagem, e a capa, parte externa da planta usada para fazer, além de decoupage, tranças e cestarias. Ana afirma que todo o tronco pode ser utilizado para fazer objetos, como até mesmo as bainhas que cobrem o caule e são usadas, por ela, para fazer cordas vendidas por metro, em medidas específicas para cada cliente. 

Fibras da bananeira em secagem. Foto: Divulgação

Uma parte de suas vendas é por intermédio da feira Inspiramais, que tem o único salão de desing e inovação de materiais da América Latina, onde Ana consegue divulgar seus produtos, com destaque ao tecido, e buscar novos clientes em outros estados do país e até internacionais. “Já o artesanato mais rústico que faço, vendo em feiras, como o Festival de Dança”, conta a artesã que também trabalha em festividades de Araquari, Barra Velha, Barra do Sul e São João do Itaperiú. Na cidade natal, vende no Centro Histórico e em quiosques que a prefeitura disponibilizou.

Ana tecendo as fibras da bananeira. Foto: Divulgação

Com a chegada da pandemia da Covid-19, feiras e festividades foram proibidas e as encomendas da artesã foram canceladas, afetando sua renda que era de um salário mínimo e meio por mês. Ana vê-se, até o momento, sem salário há pelo menos dois meses, vivendo, com dois de seus três filhos, apenas com uma reserva financeira das vendas do último verão. Para reverter a situação, criou uma página no Facebook onde tem uma nova plataforma para divulgar seus produtos.

Para o futuro, Ana espera realizar o desejo de montar uma equipe de trabalho, pois já teve que recusar alguns pedidos por falta de tempo e auxiliares, e ainda destaca a possibilidade de parceria com uma empresa do Rio Grande do Sul para desenvolver um tecido vegetal fino, como seda, produzido apenas no Japão e na Índia. 

Herison Schorr
Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela Faculdade Bom Jesus Ielusc

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