Joias Brutas — Crítica — (Netflix, 2019)

Produzido pela Netflix, fruto de uma parceria com a produtora de Adam Sandler, Jóias Brutas é um drama com críticas positivas que rendeu uma grande especulação sobre uma possível indicação do ator ao Oscar.  A atuação de Sandler, conhecido pelas comédia é realmente boa, mas não memorável, não suficiente para se igualar a outros atores indicados a premiação em 2020, nem para superá-los. 

No filme, Adam Sandler interpreta Howard Ratner, um judeu vendedor de jóias cheio de dívidas e com problemas familiares. Logo nas primeiras cenas percebemos como o ator carrega toda a carga de outros personagens, os gritos, o jeito escandaloso e sem noção está presente no filme. É como se o arquetípico do ator fosse adaptado da comédia para o drama, carregando um certo maneirismo, uma forma de agir. 


A  construção do personagem de Sandler aqui é semelhante ao filme Os Meyerowitz. Em jóias brutas ele é um vendedor de Jóias larápio, alguém tentando conseguir dinheiro fácil, sem uma boa relação com filhos, nem com a mulher e a amante. Pelo desejo alucinado de ascensão acaba magoado quem o ama e se metendo em problemas. Similarmente, no outro filme ele interpreta um pianista manco que não conseguiu fazer carreira, nem se manter financeiramente e por isso é obrigado voltar a viver com o pai. 

Os dois personagens seguem a mesma estrutura dos personagens de Sandler na comédia, fracassados profissionalmente e com problemas familiares. O drama segue o estilo do Stand-up, o ator não faz piada com o mundo exterior, mas interior. Na comédia e no drama é ele o centro da narrativa, seus defeitos e problemas. Isso não é novo, nem um problema, mas é preguiçoso por parte do ator utilizar o “mesmo tipo de personagem” em todos os filmes. 

Joia Bruta

A atuação de Sandler me fez recordar da frase de Sérgio Leone sobre Clint Eastwood ( crítica do novo filme do cineasta).  Segundo o diretor italiano, Eastwood tinha duas expressões, uma com chapéu e a outra sem. A frase nasceu da colaboração do diretor com o ator (fonte aqui). Diante de todo o exagero do  Western Spaghetti, Clint resolveu exagerar as avessas, criou um personagem sem emoções. O contraste o influenciou pelo resto de sua carreira como cineasta e ator. 

Diferente de Eastwood que criou uma forma para atuar em um ambiente exagerado, Sandler é o centro do exagero, no drama ou na comédia, ele não consegue despir o personagem que carrega consigo durante toda a carreira. Agora, nem sempre isso é ruim, um cineasta com talento para dirigir atores sabe como aproveitar o melhor, inclusive de profissionais medíocres. 

Jóias brutas não é um filme ruim, muito pelo contrário, a obra tem sua força, mas não é uma obra prima, nem um filme imprescindível. Os diretores, Ben Safdie Joshua Safdie tem o mérito de conseguir utilizar de toda a caricatura do ator para produzir uma obra que impressiona os olhares desatentos e não muito exigentes. 

Leia nosso texto sobre o filme vencedor do Oscar na categoria de Melhor Documentário, Indústria Americana.

João Diego Leite
João Diego Leite

É jornalista formado no Bom Jesus Ielusc, em Joinville. Especialista em cinema pela Universidade Tuiuti do Paraná e escreve sobre cinema há quatro anos No blog Clube de Cinema Outubro

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