Releia: Especialista explica sobre excesso de chuva em Garuva

Garuva foi atingida, nessa terça-feira (4), por um volume excessivo de chuva. Com uma precipitação de 220 milímetros em 12 horas, o acúmulo de chuva era previsto para todo mês de fevereiro.

Tabela da Defesa Civil de SC destaca Garuva como município mais atingido pelas chuvas na tarde de ontem. Foto: Defesa Civil

De acordo com a Defesa Civil de Garuva, com a enxurrada, cerca de 15 casas foram atingidas, principalmente, nos bairros Giorgia Paula e Jardim Itamaraty, com perdas de móveis e eletrodomésticos. Na tarde desta quarta-feira, a Defesa Civil de SC emitiu um novo alerta de chuva forte com previsão de alagamentos para o município de Garuva, nas próximas 2 horas.

Bairros Giorgia Paula e Jardim Itamaraty foram os mais atingidos pela enxurrada de ontem. Foto: Sebastião Inácio

Em dezembro do ano passado, o Folha Norte SC publicou uma reportagem com uma especialista que estuda as chuvas da região e explicou sobre o excesso de precipitação no município, respondendo a pergunta: Afinal, porque chove tanto em Garuva? Reveja:

Chuva na Garuva” já virou um termo bem popular no município. As constantes gotículas de água que chegam em nossas cabeças e guarda-chuvas, em todos os meses do ano, fazem da região Nordeste de Santa Catarina, onde se encontra o município de Garuva,  a mais chuvosa do estado, como conta a geógrafa especialista em climatologia Yara de Mello que estuda as chuvas na região desde 2011. Hoje, em seu doutorado, analisa a distribuição de precipitação na região da Serra do Mar de Santa Catarina e sua relação com a orografia.

Avenida Celso Ramos na tarde de ontem. Foto: Rádio Máxima FM

De acordo com a geógrafa, em Garuva, as chuvas são mais concentradas nos meses de verão, onde as precipitações podem ultrapassar os 300 mm só no mês de janeiro. No inverno, há uma diminuição, quando a precipitação pode chegar apenas 90 mm no mês de agosto, período menos chuvoso.

“Desta forma, a distribuição anual de chuvas faz de Garuva um município sem períodos de seca”, afirma.

Cruzamento entre a avenida Celso Ramos e a rua Antônio Ladislau de Araújo.
Foto Claudir Caitano.

Yara conta que tinha-se a ideia de que Garuva era o município mais chuvoso de Santa Catarina, mas, na região do bairro Vila Nova, em Joinville, o acúmulo de chuva é ainda maior. A pesquisadora explica que há fatores fundamentais que contribuem para o excesso de chuva na região, como a Serra do Mar que torna-se uma espécie de barreira para as nuvens que chegam do mar e do Sul. “Por a Serra ser muito próxima do mar, a circulação marítima é barrada por ela, o barlavento (lado para onde o vento sopra) da serra é muito mais úmido”, acrescenta. Também por conta da serra, Itapoá é a cidade litorânea mais chuvosa do estado e, ainda por influência da serra, a precipitação de chuva nos municípios do Planalto Norte, como Campo Alegre, localizado no sotavento, (lado da serra por onde sai o vento) cai pela metade, comparado a sua vizinha, Garuva.

Tabela anual de precipitação de chuva em Garuva. Foto: Herison Schorr

Além da Serra do Mar, há outros fatores que, também, influenciam no excesso de chuva em Garuva. Segundo a pesquisadora, os ventos predominantes na região sopram de Leste trazendo umidade do Oceano Atlântico, causando, além de chuvas, a nebulosidade. Com a chegada da frente fria e da massa de ar polar, os ventos passam a soprar, também, de Sudeste e Nordeste. ” Com uma trajetória marítima, devido nossas latitudes, os sistemas distribuem umidade para a região”, afirma.
De acordo com Yara, a região mais chuvosa do Brasil é o Noroeste da Bacia Amazônica, com 4000 mm ao ano, seguida da região da Serra do Mar, que vai do Nordeste de Santa Catarina ao estado do Rio de Janeiro.

Herison Schorr
Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela faculdade Bom Jesus IELUSC.



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