Morador de Garuva cria barcos em miniatura e impressiona pela originalidade

Arcas, barcas; velas e caravelas. Dos Vikings aos piratas espanhóis que atravessaram todos os mares do mundo, transformando-o. Uma história milenar feita por cordas, madeiras e vários fardos de muita coragem. É delírio de alto mar, ou até história de pescador pensar na possibilidade destas embarcações, que mudaram a humanidade, estarem reunidas em uma única casa, no centro de Garuva. Mas elas estão, mesmo que em miniatura. Em cada peça, das milhares, há histórias, contadas por seu construtor.

Barco Daenerys, replicado da série Game Of Thrones. Foto: acervo

Dos 48 aniversários, Luiz Cláudio Araújo, aposentado, dedica 12 anos da vida para a construção de barcos em miniatura. A paixão que ocupa um espaço especial em sua rotina e em sua casa, com um pequeno estaleiro no canto da sala, começou cedo, ainda na infância.  “Com 11 anos de idade, montei minha primeira pequena embarcação, com 1100 peças”, lembra, Luiz, que tem como forte a construção de veleiros e caravelas, mas que também faz embarcações atuais. 

Arca de Noé em miniatura. O modelo foi tirado de uma réplica construída nos Estado Unidos. Foto: Herison Schorr

Para fazer um barco, Luiz conta que passa, primeiramente, cerca de 15 dias pesquisando sua história e medidas; porém, embarcações antigas são difíceis de encontrar as plantas contendo suas proporções. A partir daí, o construtor aposta em sua criatividade para completar as brechas fragmentadas pelo tempo.

Luiz publica detalhes sobre a construção de seus barcos em vídeos no seu canal do Youtube chamado: “Replicando”. Gravação: Luiz Cláudio Araújo

Com uma planta original em mãos, Luiz transforma os metros das grandes estruturas em poucos milímetros e inicia seu trabalho de construção, peça por peça, colando-as com cola branca e super bonder. “Cada barco leva de dois a três meses para ser construído”, afirma o artesão que ressalta a originalidade de seus barcos, ao ponto de não afundem na água.

Gravação: Luiz Cláudio Araújo

Luiz revela que não há parte difícil durante a construção de um barco em miniatura, pois o desafio surge antes de montá-lo, com a busca  pelo material usado, que é 80% de reciclados. Utilizando tiras de cedrinho, os quais, encontra em serralherias de Garuva, cordas e tecido, Luiz conta que não utiliza prego em suas construções, apenas a cola.

Parte interna de uma réplica do navio de guerra inglês HMS Victory. De acordo com Luiz, este era o maior navio de guerra do mundo, naquela época. Foto: Herison Schorr

“Tudo é sucata, esta é a ideia. Eu poderia comprar a madeira de balsa, mas não fica fiel ao barco original. É um sistema de valorização da peça, feita a mão, com material reciclável”, conta o construtor que nunca fabrica um barco igual o outro.

Detalhes impressionam pela originalidade. Foto Herison Schorr

Um dos locais de divulgação de seu trabalho é o canal “Replicando“, no Youtube, onde Luiz mostra cada passo da construção dos barcos.  “O primeiro vídeo foi show, era sobre um barco réplica presente na série “Game of Thrones“, diz.

Gravação: Luiz Cláudio Araújo

Seus barcos já se tornaram temas de exposições no Garten Shopping, em Joinville, e na Escola de Teatro Bolshoi. Os próximos lugares que pretende expor são nas cidades de Jaraguá do Sul e Curitiba, mas, por dificilmente em conseguir apoio, a locomoção de seus barcos, para exposições nestas cidades, tornam-se um grande desafio que, muitas vezes, impossibilita de levá-los, principalmente, pelo alto custo do transporte. “Tive que alugar um caminhão para levar no Garten”, revela.

Luiz em seu pequeno ateliê. Foto: Herison Schorr

Morando em Garuva há mais de 10 anos,  o paulista mudou-se, com sua família, para trabalhar com sistema de lubrificação em uma empresa do município.  Com a tranquilidade do novo lar, teve mais tempo para se dedicar ao novo hobby. Agora, aposentado, terá mais tempo para se dedicar aos barcos. 

Alguns de de seus barcos estão à venda. Com valores de 800 a 3 mil reais, Luiz conta que este valor é “a título de Brasil”, pois, na Europa, as réplicas de barcos são mais valorizadas, pelo culto à história de grandes navegações. ” Não abro mão de valores, o pessoal reconhece meu trabalho” conta Luiz que já vendeu 12 barcos. 

Gravação: Luiz Cláudio Araújo

Para o futuro, Luiz foi contratado por um membro do Iate Clube de Joinville para fazer uma réplica de seu barco e iniciará uma pesquisa aprofundada para a construção de uma réplica em miniatura da Barca Colon, conhecida em Joinville por ter trazido os imigrantes alemães, suíços e noruegueses à então Colônia Dona Francisca.

Herison Schorr
Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela faculdade Bom Jesus IELUSC.

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