Criança prodígio de Garuva identifica bandeiras de 193 países

Na tarde deste sábado (25), o Folha Norte SC conheceu a história do pequeno garuvense Emanuel Ploszar Todt, de apenas três anos, que chamou a atenção da família e professores após decorar as bandeiras de países dos quatro cantos do mundo. São mais de 190, das mais fáceis às ainda desconhecidas por grande parte da população.

Na TV da sala, Emanuel tem como brincadeira a identificação das bandeiras dos países.
Foto: Herison Schorr

Tudo começou quando a avó de Emanuel visitou a casa da família para o aniversário de dois anos do neto. Em sua mala havia várias bandeiras dos Estados Unidos, a qual, Emanuel já identificava, citando seu nome por diversas vezes durante o dia, como conta Carolyne Teixeira Ploszai, de 23 anos, mãe de Emanuel. Quando a família percebeu seu gosto por bandeiras, buscou na internet um vídeo de 25 minutos e 32 segundos com bandeiras de 193 países para intertê-lo.

Emanuel apresenta sua habilidade de identificar as bandeiras dos países.
Gravação: Herison Schorr

Em pouco tempo, Emanuel já havia decorado os nomes de todas as bandeiras, demonstrando uma impressionante memória. Carolyne acredita que seu filho não sabe, de fato, ler as palavras, mas que acabou decorando os nomes dos países; porém, já apresenta uma facilidade em montar sílabas. “Se tu perguntar a junção de B com A ele sabe: Ba, Be Bi, Bo, Bu”, conta a mãe, que suspeita que o gosto do filho pelas bandeiras partiu do futebol, seu esporte preferido, pois, além das bandeiras, sabe os brasões dos times de futebol do Brasil.

Emanuel possui dificuldade na fala. Segundo sua mãe, a identificação de suas palavras se torna ainda mais difícil por Emanuel ter desenvolvido um sotaque após aprender palavras da língua inglesa. | Foto: Herison Schorr.

Emanuel também é um excelente aluno de geografia. Já aprendeu a identificar os continentes em seu atlas, como a América do Sul. Ao reconhecer o território nacional no mapa, demonstrou facilidade em contar a localização de cada estado brasileiro, além de suas bandeiras.

Além das bandeiras dos países, Emanuel aprendeu a identificar os territórios dos países da América do Sul.| Gravação: Herison Schorr

Além da incrível facilidade de assimilar formas, cores e palavras, Emanuel apresentou, nas primeiras interações com a família e com a comunidade escolar onde estuda, sinais de ser autista. Seu pai, Jorge Told, 30 anos, autônomo, ficou receoso com as características que o filho demonstrava a cada dia, a medida que crescia. “Não é uma doença, é algo que ele é diferente”, sugeria a mãe em conversas com o marido.

Com o mapa do Brasil em suas mãos, Emanuel mostra facilidade em identificar a localização dos estados brasileiros e suas bandeiras. |Gravação: Herison Schorr

A primeira a perceber algo de diferente em Emanuel foi sua avó, mãe de Carolyne, que é professora. Ao contar sobre as suspeitas de sua mãe para as professoras de Emanuel, elas acabaram reafirmando que haviam identificado diferenças no menino. “Ele não socializava, não brincava com as crianças, não obedecia”, conta Carolyne, que identifica a falta de interação com os coleguinhas como um dos fatores que contribuíram para Emanuel não desenvolver a fala.

Emanuel além de aprender, gosta de ensinar. Neste vídeo, mostra que também sabe a localização dos estados do Sul do Brasil e os estados e países que fazem divisa com a região. | Gravação: Herison Schorr

Com as primeiras percepções de um possível diagnóstico, os pais de Emanuel o levaram para a psicopedagoga da Apae de Garuva, onde ele pôde aprender a desenvolver uma melhor relação com os alunos da creche. Segundo a mãe, durante as análises da psicopedagoga com Emanuel, foi idenfiticado não apenas a possibilidade dele ser autista, mas, também, possuir a Síndrome de Asperger.

Ainda de acordo com a mãe, a psicopedagoga identificou, em Emanuel, um QI mais alto que de uma criança, aproximando-se de um adulto, e sugeriu encaminhá-lo para um instituto, em Joinville. |Foto: Herison Schorr

Com as suspeitas ainda mais em evidência, os pais encaminharam Emanuel para um real diagnóstico com uma psiquiatra e um neurologista, por meio da Secretaria de Saúde de Garuva, mas ainda aguardam a chamada das consultas. Se o diagnóstico comprovar a condição de Emanuel, sua mãe pretende adiantá-lo na escola, pois acredita que ele ficará muito frustrado se ingressar no pré-escolar com o conhecimento que ele já possui; além do nome e das palavras, Emanuel também sabe as cores e as formas geométricas, identificando-as até mesmo em inglês.

Emanuel mostra que aprendeu a identificar as bandeiras pelas suas cores e formas geométricas.| Gravação: Herison Schorr

“Na sala, a professora vai passar o alfabeto, como ele já sabe, vai sair quebrando tudo”, suspeita a mãe, que busca uma forma de adiantá-lo de série, para evitar a agressividade do filho nestas condições de estresse.

O menino também identifica as cores em língua inglesa. | Gravação: Herison Schorr

Outro passa-tempo preferido de Emanuel é o quebra-cabeça. Sua mãe conta que comprou um modelo de mil peças, mas como eram muito pequenas, não agradou o menino Emanuel que não teve paciência para montá-lo. Em um outro momento, comprou outro de madeira com 60 peças. Por ser resistente, o brinquedo tornou-se preferido do menino. “Ele é muito detalhista, se está um poquinho rasgado, ele não gosta”, conta a mãe sobre as dificuldades com o quebra-cabeça de papelão.

Emanuel levou menos de oito minutos para montar um quebra-cabeça de 60 peças.
Gravação: Herison Schorr

A última novidade que Carolyne apresentou para Emanuel foi a língua dos sinais. “Até baixei o um aplicativo no celular que ensina o alfabeto em libras”, diz a mãe, que pretende alfabetizá-lo tanto em língua de sinais, como em língua portuguesa, até o final do ano para facilitar seu ingresso nas séries iniciais.

Foto: Herison Schorr
Herison Schorr
Herison Schorr

Escritor e jornalista formado pela faculdade Bom Jesus IELUSC

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