CEI de Joinville ensina ecologia para crianças com cultivo de abelhas nativas

Com intuito de trabalhar a educação ambiental e instigar nas crianças, desde cedo, a consciência ecológica, o Centro de Educação Infantil  Felícia Cardoso Vieira, localizado no bairro Costa e Silva, em Joinville, recebeu duas caixas com abelhas nativas, que não possuem ferrão. Tudo começou em uma manhã de inverno, quando as crianças saíram para brincar no jardim e desviaram sua atenção para um caracol que se arrastava, preguiçosamente, pelo muro. Desse dia em diante, a professora Geisa Evaristo Mendes tem dedicado seus dias a responder perguntas da vida animal, como: “Eles enxergam?”; “”O que eles comem?”; “Onde está a família deles?”. 

Das perguntas inocentes, a professora, e também idealizadora do projeto, partiu para pesquisas embasadas, levando diariamente informações sobre insetos diferentes para seus alunos atenciosos, que têm, em média, 3 anos de idade. “Nós ficamos uma manhã inteira no jardim, com lupas, observando os bichinhos. Todos os insetos que eles viam, ficavam interessados em saber mais sobre a vida deles”, conta. 

Em uma dessas manhãs de brincadeiras pelo jardim, as crianças perceberam duas abelhinhas mortas. Novamente, a professora foi pesquisar a fundo sobre a vida dos insetos voadores, e descobriu uma espécie de abelhas nativas, conhecidas também como campeiras, que vivem, em média, 30 dias. 

A partir desta pesquisa, soube da existência da Associação de Meliponicultores de Joinville (AME), um grupo defensor da natureza, onde seus projetos são voltados para abelhas sem ferrão. A professora se associou ao grupo e, após conversar com seus alunos e pais, propôs uma parceria com a AME, para despertar, desde cedo, o cuidado com o meio ambiente. 

Foto: Geisa Evaristo Mendes

“Com minhas pesquisas, descobri que existem abelhas nativas que não possuem ferrão e que pode-se fazer a cultivo delas sem trazer riscos às crianças”, conta. 

Antes de receber os meliponários, a professora foi atrás de informações sobre como deixar o ambiente mais propício para as abelhas, qual o tipo de flor que elas se adaptam, o tipo de árvore necessário para proliferação e como alimentá-las. 

“Enquanto nós íamos atrás dessas informações, o meliponário era construído”, explica. 

De acordo com a professora, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA) de Joinville doou as árvores nativas para garantir a floração. As crianças ajudaram a plantar as árvores e a recepcionar as abelhas. 

“Os meus alunos visitam diariamente o meliponário, ajudam a servir o xarope de água e açúcar, plantam as flores e ajudam na manutenção das caixas”, se orgulha a professora. 

Após presentear com as duas caixas de abelhas sem ferrão, a AME também ensinou a fazer novas iscas para tentar capturar novos enxames. 

As abelhas

Foto: Geisa Evaristo Mendes

Foram doadas 5 mil abelhas da espécie jataí e cerca de 1.200 da espécie mandaçaia, nativas da fauna brasileira. Cada caixa pode produzir de 700 gramas a 2 quilos de mel por ano. A colméia é formada por abelhas operárias, zangões e a rainha. 

Em Joinville, a Lei Orgânica libera a criação de abelhas nativas. 

A turminha, que se orgulha em cuidar das abelhas, segundo a professora, convida os amigos de outras classes e até pessoas de fora do CEI para conhecerem o projeto. 

“É importante ressaltar que, mesmo as abelhas não tendo ferrão, elas são manuseadas sempre na companhia de adultos”.

Reportagem produzida pelo Nós de Joinville
Sabrina Quariniri
Sabrina Quariniri

Jornalista


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